sexta-feira, 18 de setembro de 2015

CIRCULOS DE MULHERES



 
Muito antes da era Cristã, há 20 mil anos pelo menos, a imagem da Deusa foi eternizada nos desenhos das cavernas, nas pedras ou nas estatuetas paleolíticas e neolíticas.
 Essas memórias reproduzem mulheres com ventre grávido, quadris largos, grandes seios.
São formas relacionadas à fertilidade e referem-se ao poder gerador da terra e do feminino.
 A divindade feminina já teve seu lugar honrado em antigas sociedades primitivas, nas quais era reconhecida por sua capacidade de gerar e nutrir a vida, assim como a Mãe Terra.
A sociedade ocidental formou-se sob a égide da mitologia judaico-cristã e se afastou de nossas origens. 
Fomos criados condicionados por uma cosmologia desprovida de símbolos do Sagrado Feminimo.
Descobertas arqueológicas realizadas em sítios neolíticos testificam a existência de uma sociedade agrícola pré-histórica bastante avançada, na região da Europa e Oriente Médio, onde homens e mulheres viviam em harmonia e o culto à Deusa era a religião.
 Não há evidências de armas ou estruturas defensivas, portanto se conclui que esta era uma sociedade pacífica.
 Também não há representações, em sua arte, de guerreiros matando-se uns aos outros, mas pinturas representando a natureza e uma grande quantidade de esculturas representando o corpo feminino.
Trazer de volta as divindades e símbolos femininos presentes em diferentes tradições religiosas e culturas é nosso resgate.
Vivenciamos a sacralidade a cada dia de nossas vidas, em um eterno ritualizar de ciclos.


Eu sou a Mãe de todos os seres vivos, a culminação da criação
Eu gero e nutro a vida em mim e tudo o que gerei e pari é bom, muito bom.
Eu me recuso carregar a vergonha do homem no meu corpo,
Eu me recuso perpetuar a fraqueza da mulher na minha vida.
Honre tudo o que foi diminuído, receba tudo o que lhe foi negado,
Pois no início de tudo existia somente a Mãe.
No primeiro dia criei a luz e a escuridão e elas dançaram juntas,
No segundo dia criei a Terra e a água e elas se tocaram entre si,
No terceiro dia criei as plantas e elas enraizaram e suspiraram,
No quarto dia criei as criaturas da terra, do mar e do ar e elas caminharam, nadaram e voaram,
No quinto dia minha criação aprendeu o equilíbrio e a colaboração,
No sexto dia celebrei a fertilidade de todos os seres,
No sétimo dia deixei espaço para o desconhecido,
No início de tudo existia somente a Mãe, a mãe criadora e nutridora de todos nós.
Honre tudo o que foi diminuído, receba tudo o que lhe foi negado
E afirme: Eu sou mulher, eu sou boa, eu sou feliz!
Eu sou a Mãe






DEUSA ISIS


ÍSIS


A Deusa Egípcia Ísis é a deusa da fertilidade e da maternidade, também está associada a magia e proteção da natureza. 
Representava o ideal de mãe, foi amiga dos escravos, artesãos, pescadores e oprimidos.

Geralmente, aparece representada com seu filho Hórus ainda criança.
 Foi, além de irmão, esposa de Osíris e governou junto com ele.
 Ísis era restauradora da vida e usava ervas e palavras de poder para curar doenças.
 É uma deusa lunar, protetora das mulheres, seu nome significa "trono".
 Seu nome também significa "sabedoria antiga", que corresponde a capacidade inerente de seguir a natureza da vida.



Os primeiros registros escritos a respeito de sua adoração foi cerca de 2500 a. C., cuja adoração se estendeu por todas as partes greco-romanas, perdurando atualmente.
 Seu símbolo é o hieróglifo do trono. 
Significa todo o poder de governar dado por ela. 
Quando a Deusa Ísis assume a personificação da justiça ela é representada alada devido a sua amplitude e poder celeste.

Está relacionada com a estrela Sírius, que anunciava a cheia do Nilo e a chegada de um novo ano.
 Também está associada à lotus devido ao seu potencial de renascimento e capacidade de despertar o olhar para a sombra a fim de desabrochar para uma nova vida.

O arquétipo de Ísis nos diz a respeito do amor próprio, da auto nutrição, do cuidado materno e da cura de nosso passado através desses momentos de "colo" que algumas vezes merecemos nos presentear.
 Também, ela salienta as ilusões entre a beleza e a tragédia de estarmos presos na teia do destino. No lembra da importância de pertencermos ao todo material, pois só assim nosso espírito poderá se transformar.

Para facilitar a conexão com a Deusa Ísis e o reconhecimento do seu arquétipo é sugerida a Dança dos Sete Véus.
 Essa dança tem sua origem em tempos remotos, onde as sacerdotisas dançavam no templo de Isis.
 É uma dança forte, bela e enigmática, que reverencia à vida, os elementos da natureza, imita os passos dos animais e das divindades numa total integração com o universo.

Os véus são necessários pois, deles que os deuses se servem para sutilizar o corpo da mulher.
 Os sete véus representam os sete chakras em equilíbrio e harmonia, sete cores e sete planetas.
 Cada planeta possui qualidades e defeitos que influenciam no temperamento das pessoas e a retirada de cada véu representa a dissolução dos aspectos mais nefastos e a exaltação de suas qualidades.
 Os véus de Ísis, ao serem retirados, nos transmitem ensinamentos:

- Dois véus, ao retirá-los nos diz que o corpo e espírito devem estar harmonizados.

- A Dança do Templo, que é usado três véus, homenageia a Trindade dos deuses do Antigo Egito (Ísis, Osíris e Hórus).

- A Dança do Palácio, com quatro véus, representa a busca da segurança e estabilidade e ao retirá-los a dançarina nos demonstra o quanto nos é benéfico o desapego das coisas materiais.

- Dança dos Sete Véus, cada véu corresponde a um grau de iniciação.

Significado de cada cor de véu:

- Vermelho: libertação das paixões e vitória do amor.
- Laranja: libertação da raiva e dos sentimentos de ira.
- Amarelo: libertação da ambição e do materialismo.
- Verde: saúde e equilíbrio do corpo físico.
- Azul : encontro da serenidade.
- Lilás: transmutação da alma, libertação da negatividade.
- Branco: pureza, encontro da Luz.


As cores de Ísis são:

- Vermelho: o sangue de Ísis, a feminilidade, a vida, a fertilidade;
- Dourado: o sagrado, o sacerdotal;
- Azul: o celeste, o poder universal;
- Prata: a lua, os mortos.

As pedras para Ísis são: cornalina, ametista e malaquita.







Oração à Deusa Ísis

Oh, Grande Mãe, Senhora do Egito,
Mãe, esposa e irmã 
Senhora da magia, do poder feminino, da luz que remove as trevas. 
Senhora que liberta e reconstrói.
Tira-me, Mãe, os véus da ilusão que limitam o meu ser.
Traze-me a paz e a harmonia em minha vida.
Liberta-me de minhas limitações auto-impostas e de velhos padrões que não me servem mais.
Abençoa-me com tua sabedoria e magia.
Inicia-me em teus mistérios e aprimora meu discernimento.
Faze com que cada parte de meu ser seja um reflexo de tua energia.
Mãe de todos os filhos, senhora do amor e da graça.
Mostra-me a Luz do teu amor.
Caminha a meu lado, protege-me de meus inimigos e do maior deles, a ignorância.
Envolve-me em tua compaixão e ensina-me a humildade.
Traze-me a autopercepção de meus dons e como usá-los.
Oh, Mãe, ouço o teu respirar cósmico de onde nasce e renasce a vida.
Sinto tua presença pulsando em meu ser
Eliminando os véus da ilusão e criando um novo ser em mim.
Um ser mais consciente, mais pleno, senhora de minha vida e criadora de uma nova realidade.
Oh, Ísis, minha Grande Mãe
Senhora da Magia, da Reconstrução, do Poder Feminino e do Renascimento.
Obrigada! Senhora do Egito e Grande Mãe.
Hoje renasci em teus braços e nasci de teu amor!

MÃE DIVINA









Recado a Mãe Divina:


Vem surgindo um Novo Tempo, traz glórias do Divino



Mais Puros e Atentos nos tornamos Canais do Infinito



Mãe Divina eu quero ser um filho realizado

que é perante o seu Poder que me entrego pra ser libertado



Como um rio que corre para o mar, correntezas carregam o medo



Confiança para atravessar as fronteiras do Eu derradeiro



Não há desculpas para se escorar, já foi dito e a hora é essa



O Tempo é de se integrar, abraçando o que ainda resta



Estou morrendo para o passado e nem anseio pelo futuro



Minha Coroa tem brilho dourado e provo o néctar de um Amor Maduro.




DEUSA GAIA


Poder da Deusa Gaia

Praticamente todas as grandes tradições da antiguidade continham o conceito de que existe um grande organismo (consciência, Gaia) feminino regendo a vida da Terra.
Todos os cultos da fertilidade e do renascimento da natureza, da vegetação, na primavera,  eram voltados para esse arquétipo universalizado que doava (continua doando, sem limites) e sustentava a vida, regulando e alimentando todos os processos vitais do planeta.
No terceiro quarto do século XX, a ciência passou a estudar com interesse e seriedade a hipótese da Terra ser um organismo vivo, consciente e auto-regulável.
 A adoção de modelos biológicos para entender o planeta, em substituição aos modelos mecanicistas e termodinâmicos, foi um gigantesco passo para a reintegração do homem com a natureza.
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A entrada do terceiro milênio não é apenas um marco cronológico.
 É a possível passagem para um novo ciclo de consciência da humanidade, mais próximo da noção com a unicidade da vida.
 A Hipótese Gaia é uma tese científica elaborada pelo químico inglês James Lovelock, em 1972, formulando a teoria de que a Terra é um organismo vivo, inteligente, consciente, integrado e interativo.
Essa hipótese foi fortalecida pelos trabalhos da bióloga norte-americana Lynn Margullis, no campo da microbiologia, comprovando a dinâmica dos organismos biológicos em resposta a diferentes tipos de ação humana, sempre para manter um equilíbrio entre os diversos sistemas de vida do planeta.
A Hipótese Gaia adicionada às teorias holísticas, à nova física quântica, à física relativista, às teorias de campo unificado e às recentes descobertas da Teoria das Supercordas caracteriza uma nova maneira de se perceber a realidade.
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Essa nova visão do mundo abre, pela primeira vez, um fosso entre o mundo que vemos através dos sentidos e o mundo revelado pela nova ciência, o que evidencia a idéia oriental de Maya, significando que o mundo que percebemos é uma ilusão.
 A realidade em si mesma é muito diferente do que aparenta ser para os sentidos humanos.
Uma parede, aparentemente sólida, é na realidade uma nuvem de elétrons em movimento próximo a velocidade da luz, havendo tanto espaço entre os átomos constituintes dessa parede, que poderia se dizer que a parede, na verdade, é um vasto espaço vazio, com uma aparência de solidez causada pelo movimento das partículas.
Da mesma forma, o planeta Terra concebido como o organismo Gaia é um fluxo efervescente de movimentos e mudanças constantes, sempre buscando a harmonia e o equilíbrio, compensando as perdas de energia.
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A hipótese Gaia tem esse nome por resgatar um antigo conceito da deusa-mãe, proveniente das antigas religiões pré-arianas, em que a Mãe Natureza era personificada através dos nomes regionais de GaiaÍsis, Hathor, Démeter, Ceres, Freya, Kali, Athena, Ishtar, Kwan Yin, etc.
Praticamente todas as grandes tradições da antiguidade continham o conceito de que existe um grande organismo (consciência, Gaia) feminino regendo a vida da Terra.
 Todos os cultos da fertilidade e da vegetação eram voltados para esse arquétipo universalizado que doava e sustentava a vida, regulando e alimentando todos os processos vitais do planeta.
Os homens (e as mulheres) da antiguidade tinham uma clara noção de que Gaia era responsável pelos ciclos da natureza, de cuja harmonia e equilíbrio os homens (a humanidade) dependem para sobreviver.
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Eles sabiam que a natureza (Gaia)  era generosa, porém reativa, e que reagiria com fúria avassaladora  para manter seu equilíbrio vital, caso esse equilíbrio natural fosse perturbado.
A natureza É naturalmente abundante, a escassez e a carência foi criada pelo ignorância e o egoísmo da humanidade.
Por isso, Gaia era concebida no Egito como a generosa e consoladora Ísis, mas também como a terrível e destruidora deusa leoa Seckmet.
 Da mesma forma, os hindus percebiam Gaia como a nutridora mãe Kali, mas também como a terrível Durga, a deusa da morte com seu colar de crânios humanos.
 Essas alegorias significam que Gaia rege os processos de criação, nutrição e também de destruição das formas, quando há desequilíbrio.
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Gaiaa deusa-mãe da Natureza, representa a personificação dos processos vitais que mantêm a vida no planeta Terra, estando esses processos relacionados também à reciclagem das formas de vida, com reaproveitamento de todos os resíduos para a reconstrução de novas formas.


PACHA MAMA





Pacha Mama


Pachamama: Mãe Terra. Energia Universal Feminino no tempo e no espaço; Mãe Cósmica.
 Deusa responsável pelo bem-estar das plantas e animais.

A Pacha Mama (em quíchua : Pacha Mama, ou a Mãe Terra Mãe Cósmica).
 A fonte feminino de onde vem todo o mundo material, os meios de subsistência de toda a natureza e toda a realidade.

“Pachamama, obrigado por tudo que nos oferece.
Mãe que nos nutre e nos alimenta em seu seio, 
Ensina-nos a andar pelo seu ventre com beleza e graça.” Wagner Frota 

Ela é a Mãe da purificação, da limpeza e do perdão. Pachamama significa Mãe Terra.
 Entrar em contato com a natureza ajuda a elevar nossas esperanças e nos dá coragem para viver.
 Ela nos ensina como nós somos merecedores dessa dádiva, porque somos as crianças da Mãe Terra, independente de raça, religião, ou de cultura.
 A natureza nos faz viver em unidade com todas as coisas, e é esta unidade que nos coloca em equilíbrio e em paz com tudo.

A cada nascimento do sol ou no simples desabrochar de uma pequena flor, passamos a compreender que existe um Grande Mistério no Universo.
 E são exatamente nestes pequeno milagres do dia a dia que vemos o belo sorriso da nossa Mãe Terra, a Pachamama.
 Mas para que tudo isso ocorra, devemos aprender a respeitar a Terra.
 Devemos ir para o meio da Natureza e sentir o abraço da Mãe Terra.

Não é a tôa que antigas formas de vida e um movimento ecológico mundial esteja ocorrendo.
 Cada um de nós tem uma missão neste movimento. Um movimento no qual diversas tribos, de cores diferentes, se unem para fazer parte de um grande organismo e trabalhar para curar o nosso mundo.
 Um mundo repleto de mistério que é expresso ao ouvirmos a voz dos ventos.

  



OXUM

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OXUM


Orixá das águas doces, cachoeiras, grotas, seixos, fontes e rios.
 Deusa do Rio Dourado de Osogbô,de onde deriva seu nome,este rio está localizado na região da Nigéria.
 Dona de uma beleza única, vaidosa e amorosa, em seu Abêbé reflete o ouro do sol e a prata da lua e das estrelas faz seus adornos.
 Ela é tão delicada como o fluxo de um riacho entre as pedras, mas tão poderosa como a cachoeira.

Oxum é o amor, a grandeza espiritual e material, Mãe da criação, Yabá da feminilidade.
 Senhora do Ouro trabalha as águas gerando riquezas e fartura.
 Suas águas purificadoras banham e alimentam toda a natureza, fazendo com que o verde germine, e alimente todos os seres.
 Sem ela (água) não há vida.

Oxum foi a segunda mulher de Xangô, Deusa do ouro (na África seu metal era o cobre), riqueza e do amor foi rainha em Oyó, sendo a sua preferida pela jovialidade e beleza.

A Oxum pertence o ventre da mulher e ao mesmo tempo controla a fecundidade, por isso as crianças lhe pertencem.
 A maternidade é sua grande força tanto que quando uma mulher tem dificuldade para engravidar é a Oxum que se pede ajuda.
 Oxum é essencialmente o Orixá das mulheres preside a menstruação, a gravidez e o parto.

Desempenha importante função nos ritos de iniciação que são a gestação e o nascimento.
 Orixá da maternidade ama as crianças, protege a vida e tem funções de cura.
 Oxum mostrou que a menstruação em vez de constituir motivo de vergonha e de inferioridade nas mulheres, pelo contrário proclama a realidade do poder feminino a possibilidade de gerar filhos.

Fecundidade e fertilidade são por extensão, abundância e fartura e num sentido mais amplo a fertilidade irá atuar no campo das idéias despertando a criatividade do ser humano que possibilitará o seu desenvolvimento. Oxum é o Orixá da riqueza - dona do ouro, fruto das entranhas da terra.
 É alegre, risonha, cheia de dengos, inteligente, mulher-menina que brinca de boneca, e mulher-sábia, generosa e compassiva, nunca se enfurecendo. Elegante, cheia de jóias, é a rainha que nada recusa tudo dá.
 Tem o título de Yalodê entre os povos Iorubá aquela que comanda as mulheres na cidade, arbitra litígios e é responsável pela boa ordem na feira.

Oxum tem a ela ligado o conceito de fertilidade, e é a ela que se dirigem as mulheres que querem engravidar, sendo sua a responsabilidade de zelar tanto pelos fetos em gestação até o momento do parto onde Iemanjá ampara a cabeça da criança e a entrega aos seus Pais e Mães de cabeça. Oxum continua ainda zelando pelas crianças recém-nascidas até que estas aprendam a falar.
É o Orixá do amor, Oxum é doçura sedutora. 
Todos querem obter seus favores, provar do seu mel, seu encanto e para tanto lhe agradam oferecendo perfumes e belos artefatos tudo para satisfazer sua vaidade. 
Na mitologia dos Orixás ela se apresenta com características específicas que a tornam bastante popular nos cultos de origem negra e também nas manifestações artísticas sobre essa religiosidade. 
O Orixá da beleza usa toda sua astúcia e charme extraordinário para conquistar os prazeres da vida e realizar proezas diversas.
 Seu maior desejo é ser amada o que a faz correr grandes riscos assumindo tarefas difíceis pelo bem da coletividade.
 Em suas aventuras este Orixá é tanto uma brava guerreira pronta para qualquer confronto, como a frágil e sensual ninfa amorosa.
 Determinação, malícia para ludibriar os inimigos, ternura para com seus queridos Oxum é, sobretudo a deusa do amor.

Na arte da sedução não pode haver ninguém superior a Oxum.
 No entanto ela se entrega por completo quando perdidamente apaixonada afinal o romantismo é outra marca sua.
 Da África tribal à sociedade urbana brasileira, a musa que dança nos terreiros de espelho em punho para refletir sua beleza estonteante é tão amada quanto à divina mãe que concede a valiosa fertilidade e se doa por seus filhos.
 Por todos seus atributos a belíssima Oxum não poderia ser menos admirada e amada não é por acaso a cor dela é o reluzente amarelo ouro, pois como cantou Caetano Veloso, “gente é pra brilhar”, mas Oxum é o próprio brilho em Orixá.

A face de Oxum é esperada ansiosamente por sua mãe, que para engravidar leva ebó (oferenda) ao rio.
 E tal desespero não é o de Iemanjá ao ver sua filhinha sangrar logo após nascer.
 Para curá-la a mãe mobiliza Ogum, que recorre ao curandeiro Ossãe, afinal a primeira e tão querida filha de Iemanjá não podia morrer.
 Filha mimada Oxum é guardada por Orumilá que a cria.

Para Oxum então foi reservado o posto da jovem mãe, da mulher que ainda tem algo de adolescente, coquete, maliciosa, ao mesmo tempo em que é cheia de paixão e busca objetivamente o prazer.
 Sua responsabilidade em ser mãe se restringe às crianças e bebês.
 Começa antes até na própria fecundação, na gênese do novo ser, mas não no seu desenvolvimento como adulto.
 Oxum também tem como um de seus domínios, a atividade sexual e a sensualidade em si sendo considerada pelas lendas uma das figuras físicas mais belas do panteão místico Iorubano.

Busca a ausência de conflitos abertos – é dos poucos Orixás Iorubas que absolutamente não gosta da guerra.


- Culto a Oxum:
Dia principal de culto: Sábado
Comemoração Anual: 08 de dezembro
Cores: Amarelo, ouro, rosa, azul claro
Símbolo: Leque com espelho (Abebé)
Elemento: Água Doce (Rios, Cachoeiras, Nascentes, Lagoas)
Domínios: Amor, Riqueza, Fecundidade, Gestação e Maternidade
Saudação: Ora Yêyê Ô!
Velas: branca, amarela e azul clara
Oxum é o Trono Natural irradiador do Amor Divino e da Concepção da Vida em todos os sentidos. Como “Mãe da Concepção” ela estimula a união matrimonial, e como Trono Mineral ela favorece a conquista da riqueza espiritual e a abundância material. Ela é o Trono Regente do pólo magnético irradiante da linha do Amor e atua na vida dos seres estimulando em cada um os sentimentos de amor, fraternidade e união.
Seu elemento é o mineral e, junto com Oxumaré, forma toda uma linha vertical cujas vibrações, magnetismo e irradiações planetárias multidimensionais atuam sobre os seres e os estimula ou paralisa. Em seus aspectos positivos, ela estimula os sentimentos de amor e acelera a união e a concepção. Oxum assume os mistérios relacionados à concepção de vidas porque o seu elemento mineral atua nos seres estimulando a união e a concepção.
"Eu vi Mamãe Oxum nas cachoeiras, sentada na beira de um rio;
Eu vi Mamãe Oxum nas cachoeiras, sentada na beira de um rio;
Colhendo lírio, lírio ê, colhendo lírio, lírio á, colhendo lírio para enfeitar nosso Congá;
Colhendo lírio, lírio ê, colhendo lírio, lírio á, colhendo lírio para enfeitar nosso Congá."

Pode-se afirmar, que Oxum representa um arquétipo predominantemente feminino. Ela remete aos mistérios da feminilidade. É o símbolo do poder feminino da fecundação e da continuidade da vida. Sem esse arquétipo, é impossível, como descrito no mito acima, levar a cabo qualquer empreendimento. Sem ele não há fertilidade, não há prosperidade. Pois não há gestação.Oxum é, então, a “mãe das mães”. Nos arcanos maiores do Tarot encontramos esse arquétipo no trunfo número 3, A Imperatriz. Que simboliza criatividade, sucesso, gestação, encanto, amabilidade e cortesia.Outro paralelo, enquanto deusa da fertilidade e da maternidade, pode ser feito com Deméter, a deusa grega da fecundidade da terra. Sua sensualidade, intuição, demonstra toda sabedoria feminina, toda manifestação criativa.A ela pertencem todas as manifestações criativas, sensuais e alegres. A dança, a música, toda forma de arte, a culinária e também a cura. Como deusa do amor, tem paralelos com Afrodite, Vênus, Ishtar, Astarte. Sendo também uma deusa alquímica, transformadora (ver post sobre Afrodite). Como senhora do ouro, simboliza o que é incorruptível. Os nossos valores, não apenas materiais, mas valores espirituais também.


NEGRA KALI



SANTA SARA KALI


Santa Sara é conhecida como "Negra Kali" ou " Sara la Kali". 
É cultuada em várias culturas do mundo todo, especialmente pelo Povo Cigano, que a tem como padroeira.
 Muitas lendas envolvem a figura de Sara la KAli, mas a lenda mais aceita entre os ciganos é a seguinte:

Madalena, Salomé, Jacobé (as três Marias), José de Arimateia, Trofino e Lázaro, juntos com Sara (uma cigana escrava)forma atirados o mar, por judeus, numa barca sem remos.
 As três Marias puseram-se a rezar e chorar.
 Sara retirou o seu diklô (lenço) da cabeça e chamou por Kristesko (Jesus Cristo) e prometeu que se fossem salvos, ela seria escrava Dele e jamais andaria com a cabeça descoberta em sinal de respeito. 
Milagrosamente, a barca atravessou o oceano com todos salvos, e aportou em Saintes Maries de La Mer. Sara foi acolhida por ciganos da região.
 Após sua morte, Sara foi colocada em uma gruta que é visitada até hoje, em Camargue, sul da França.


A Santa Sara Kali, para os ciganos representa a figura de amiga, mulher, mãe e conselheira.
 Ela é protetora do ventre e recebe lenços e mantos de mulheres que desejam engravidar, pois também lhe é conferido a divina fertilidade.
 Invocada, também, em casos de doenças, para que a saúde seja restabelecida.
 Seu dia é 24 e 25 de maio, onde milhares de seguidores (ciganos ou não) visitam a cidadezinha no sul da França, onde está a sua imagem.














"Santa Sara, minha protetora, cubra-me com seu manto celestial.
 Afaste as negatividades que porventura estejam querendo me atingir. 
Santa Sara, protetora dos ciganos, sempre que estivermos nas estradas do mundo, proteja-nos e ilumine nossas caminhadas.
 Santa Sara, pela força das águas, pela força da Mãe-Natureza, esteja sempre ao nosso lado com seus mistérios.
 Nós, filhos dos ventos, das estrelas, da Lua cheia e do Pai, só pedimos a sua proteção contra os inimigos. Santa Sara, ilumine nossas vidas com seu poder celestial, para que tenhamos um presente e um futuro tão brilhantes, como são os brilhos dos cristais. Santa Sara, ajude os necessitados; dê luz para os que vivem na escuridão, saúde para os que estão enfermos, arrependimento para os culpados e paz para os intranquilos.
 Santa Sara, que o seu raio de paz, de saúde e de amor possa entrar em cada lar, neste momento. Santa Sara, dê esperança de dias melhores para essa humanidade tão sofrida.
 Santa Sara milagrosa, protetora do povo cigano, abençoe a todos nós, que somos filhos do mesmo Deus. Santa Sara, rogai por nós. Amém."

A TEIA DE THEA



   
Muito antes da era Cristã, há 20 mil anos pelo menos, a imagem da Deusa foi eternizada nos desenhos das cavernas, nas pedras ou nas estatuetas paleolíticas e neolíticas.
 Essas memórias reproduzem mulheres com ventre grávido, quadris largos, grandes seios.
São formas relacionadas à fertilidade e referem-se ao poder gerador da terra e do feminino.
 A divindade feminina já teve seu lugar honrado em antigas sociedades primitivas, nas quais era reconhecida por sua capacidade de gerar e nutrir a vida, assim como a Mãe Terra.
A sociedade ocidental formou-se sob a égide da mitologia judaico-cristã e se afastou de nossas origens. 
Fomos criados condicionados por uma cosmologia desprovida de símbolos do Sagrado Feminimo.
Descobertas arqueológicas realizadas em sítios neolíticos testificam a existência de uma sociedade agrícola pré-histórica bastante avançada, na região da Europa e Oriente Médio, onde homens e mulheres viviam em harmonia e o culto à Deusa era a religião.
 Não há evidências de armas ou estruturas defensivas, portanto se conclui que esta era uma sociedade pacífica.
 Também não há representações, em sua arte, de guerreiros matando-se uns aos outros, mas pinturas representando a natureza e uma grande quantidade de esculturas representando o corpo feminino.
Trazer de volta as divindades e símbolos femininos presentes em diferentes tradições religiosas e culturas é nosso resgate.
Vivenciamos a sacralidade a cada dia de nossas vidas, em um eterno ritualizar de ciclos.


Eu sou a Mãe de todos os seres vivos, a culminação da criação
Eu gero e nutro a vida em mim e tudo o que gerei e pari é bom, muito bom.
Eu me recuso carregar a vergonha do homem no meu corpo,
Eu me recuso perpetuar a fraqueza da mulher na minha vida.
Honre tudo o que foi diminuído, receba tudo o que lhe foi negado,
Pois no início de tudo existia somente a Mãe.
No primeiro dia criei a luz e a escuridão e elas dançaram juntas,
No segundo dia criei a Terra e a água e elas se tocaram entre si,
No terceiro dia criei as plantas e elas enraizaram e suspiraram,
No quarto dia criei as criaturas da terra, do mar e do ar e elas caminharam, nadaram e voaram,
No quinto dia minha criação aprendeu o equilíbrio e a colaboração,
No sexto dia celebrei a fertilidade de todos os seres,
No sétimo dia deixei espaço para o desconhecido,
No início de tudo existia somente a Mãe, a mãe criadora e nutridora de todos nós.
Honre tudo o que foi diminuído, receba tudo o que lhe foi negado
E afirme: Eu sou mulher, eu sou boa, eu sou feliz!
Eu sou a Mãe





A SENHORA DA RODA DE PRATA


“Tu, que perambulas por muitos lugares e és reverenciada com diferentes rituais, Tu, cuja luz suave clareia o caminho dos viajantes e nutre as sementes escondidas sob a terra, Tu, que controlas o caminho do Sol e até mesmo a intensidade dos raios, eu Te imploro, chamando todos os Teus nomes e todos os Teus aspectos, e Te invoco com todas as cerimônias que Te foram dedicadas, vem a mim e me traz repouso e paz.”




Apuleio, “o Asno Dourado”
Para a nossa mentalidade atual e baseada em valores solares, pode parecer estranha a afirmação do escritor romano Apuleio (século I) sobre o controle oferecido pela Lua na trajetória e intensidade dos raios de Sol.
No entanto, se voltarmos para o início da história da humanidade, podemos constatar a maior relevância simbólica e mitológica da Lua, bem como a antiguidade dos cultos lunares em relação aos valores e cultos solares.
 Na Caldeia, os astrólogos ignoravam o Sol e fundamentavam seus sistemas nos movimentos da Lua.
 Até hoje, na astrologia védica, o peso da interpretação recai sobre o signo lunar natal, os meses são denominados “Mansões Lunares” e caracterizados pela posição da lua cheia na respectiva mansão.
Os cultos lunares se originaram no Paleolítico e os primeiros calendários conhecidos foram os lunares, baseados no ciclo menstrual da mulher.
 O mais antigo calendário astrológico conhecido foi criado pelos babilônios e chamava-se “As casas da Lua”, estabelecido a partir do ciclo da lunação, com seus períodos mensais representados pelos signos zodiacais.
 A principal Deusa Lunar da Babilônia era Ishtar, cujo cinturão era enfeitado com representações e símbolos do zodíaco.
Inúmeros artefatos neolíticos talhados em pedra, chifre e osso, encontrados em grutas espalhadas por vários países na Europa e Ásia, têm inscrições agrupadas e séries alternadas de 28 a 30 traços, demonstrando o antigo conhecimento astronômico dos ciclos lunares.
 Atualmente, está sendo cada vez mais divulgado e utilizado o calendário lunar do povo maia, com base no ciclo das treze lunações que formam um ciclo solar.
Desde os mais remotos tempos a Lua foi reverenciada como a manifestação da Grande Mãe Universal, o aspecto feminino da Divindade, a fonte criadora e mantenedora da vida, cuja luz e bênção eram invocadas nos rituais de fertilidade, no plantio das sementes e no parto das crianças.
 As suas fases passaram a simbolizar o próprio ciclo da geração, nascimento, crescimento, mas também o amadurecimento, decadência e morte.
 As suas faces - clara e escura - foram consideradas como aspectos doadores da vida e destruidores da natureza, a Mãe sendo tanto Criadora como Ceifadora.
A Lua foi venerada com inúmeros nomes nas várias tradições e culturas antigas. Apesar desta diversidade, existe uma similitude em relação aos seus atributos de acordo com as suas fases.
 A Lua crescente representa a vitalidade da deusa jovem, o frescor da Donzela, o potencial do crescimento, o início das realizações.
 Tornando-se cheia, a Lua personifica o ventre grávido da Mãe, o florescimento, a abundância da natureza, a concretização das possibilidades.
 Ao minguar, a Lua assume o aspecto de Anciã, assinalando o fim da colheita, o declínio das energias, a sábia preparação para conhecer os mistérios da morte e do renascimento.
Dificilmente se encontra nas várias mitologias uma Deusa que sintetize a inteira gama do simbolismo lunar.
 Nos panteões grego e celta existem inúmeras Deusas Lunares com características específicas, relacionadas aos atributos das fases e representando os arquétipos da Donzela, da Mãe e da Anciã.
 Os povos celtas contavam o tempo pelas noites e seu calendário era lunar e não solar, como o dos gregos e romanos.
 Os seus astrólogos observavam a posição da Lua e sua progressão em relação às estrelas.
Uma deusa lunar celta pouquissimo conhecida e com um complexo simbolismo é a galesa Arianrhod, uma mulher linda e com pele muito alva, descrita como a “Senhora da Roda de Prata” por cuidar da roda estelar, cujo giro simbolizava o passar do tempo e a tecelagem do destino.
 Esta roda luminosa era a constelação estelar em forma de coroa chamada Corona Borealis (considerada pelos gregos como sendo a coroa da deusa Ariadne), cujo nome em galês era Caer Arianrhod, ou seja, “O castelo giratório de Arianrhod”.
 Era chamada também de “Roda com remos”, por representar o barco que levava os mortos para a Terra da Lua, nomeada Emania ou Magonia.
 Vivendo na longínqua terra encantada de Caer Sidi, cercada de sacerdotisas, Arianrhod era um arquétipo da antiga Deusa Mãe celta, regente do céu, das estrelas, da Lua, da fertilidade e do poder feminino, sendo a padroeira dos partos, do mar, da magia e da justiça.
 Ela personificava vários outros atributos por ser regente do tempo e do destino, Senhora da beleza, da Lua cheia e da reencarnação.
 Era cultuada no País de Gales como uma Deusa Tríplice (ela como Mãe, Blodeuwedd como virgem e Cerridwen como Anciã).
Arianrhod regia Caer Sidi, a “Torre do outro mundo”, o reino encantado onde ficava seu palácio Caer Arianrhod, onde os celtas acreditavam que as almas se recolhiam entre as suas encarnações e os poetas aprendiam sua arte.
 Depois de recolher os espíritos e levá-los na sua “Roda com remos” para Emania, Arianrhod seguia ao longo da “Roda das encarnações” e os conduzia para a sua próxima parada, iniciando-os no novo ciclo de vida em Caer Sidi.
Nos mitos lunares contava-se que Arianrhod se metamorfoseava numa grande coruja e com seus olhos penetrantes perscrutava a escuridão – da noite, do subconsciente humano e da alma.
 Ela se locomovia facilmente na noite e levava nas suas asas conforto, cura e aceitação para os doentes e moribundos.
 Arianrhod regia as iniciações, os ritos de passagem femininos (menarca, ciclos menstruais, parto, menopausa, morte, renascimento), a magia, a sabedoria oculta e a renovação, sua luz sendo refletida por inúmeras camadas de tempo, modelagem do destino e experiências.
 Seus símbolos eram o caldeirão (representando o poder feminino e atributo de outras deusas também) e a porca branca, indicando assim sua conexão com o mundo subterrâneo e o renascimento.
Arianrhod – semelhante à grega Ártemis – era independente, possuía uma grande força espiritual e por não precisar de nenhuma figura masculina, era considerada a “Deusa branca e virgem”.
 O conceito de “virgem” para os povos antigos indicava autossuficiência e independência, sem nenhuma relação com a integridade do hímen. Arianrhod vivia de maneira livre e selvagem, cercada apenas por mulheres e ocasionalmente tendo relações sexuais - nas noites de lua cheia - com os marinheiros que aportavam nas praias do seu longínquo e ermo habitat.
 De lá, Arianrhod descia na sua carruagem prateada até mergulhar nas ondas do mar e era reverenciada na noite de 11 de dezembro.
O mito de Arianrhod - registrado na coletânea de textos galeses Mabinogion (escritos entre os séculos XI e XIII) - é muito complexo, com elementos contraditórios e de difícil compreensão, denotando as deturpações feitas pelos monges e historiadores cristãos da interpretação das lendas da tradição oral dos bardos.
 As antigas verdades ficaram ocultas entre as linhas e prevaleceram os conceitos misóginos e patriarcais cristãos, que condenavam e perseguiam atitudes e valores especificamente femininos, considerando a liberdade sexual da mulher como um pecado e perigo para a pureza da alma cristã, que devia ser combatido e punido.
 Para impedir a continuação da antiga liberdade sexual pagã, os ritos sagrados das Tradições da Deusa foram declarados obscenos, licenciosos e demoníacos, devendo ser abolidos quaisquer referências a eles. Vários mitos de deusas descritos em Mabinogion (como o de Blodeuwedd, Branwen, Rhiannon) passaram pelos mesmos “retoques” e adaptações, que fizeram dos seus mitos histórias inverossímeis e confusas.
 O maior objetivo dos historiadores cristãos (na sua maioria monges) era ocultar os valores e verdades das culturas matriarcais e promover as regras, conceitos e imposições da ordem patriarcal.
Existe uma passagem inverossímil no mito de Arianrhod, que descreve de forma metafórica e pitoresca uma mescla de atributos dela como Donzela e Mãe Escura.
 Arianrhod era a filha mais poderosa da deusa galesa da terra Don e do deus da luz celeste Beli (que é pouco mencionado), irmã do herói e futuro mago Gwydion e sobrinha do rei mago Math.
Este rei, para preservar sua magia e seu poder de soberano, tinha que repousar permanentemente seus pés no colo de uma virgem, uma medida mágica necessária para a sua sobrevivência e seu fortalecimento antes das batalhas. Gwydion, que era seu amigo e parceiro nas magias, intimou e enviou sua irmã Arianrhod ao rei Math para ser sua acompanhante, apesar da sua condição real e do seu poder pessoal, que foram ignorados.
 Assim como suas antecessoras, ela tinha que cumprir o seu dever de footholder e segurar os pés do rei no seu colo enquanto ele descansava.
 A condição essencial desse encargo era a virgindade da candidata; ao ser questionada acerca disso, Arianrhod confirmou que era virgem (mas no antigo sentido do termo, que indicava sua liberdade e poder pessoal).
 Ao ser testada pelo bastão magico de Math (sobre qual ela tinha que passar, uma clara alusão ao poder fálico do rei), Arianrhod, de repente deu à luz a um menino louro e bem formado – Dylan - que se arrastou para o mar, onde se transformou depois em um deus marinho e nunca mais foi visto. 
Enfurecida pela armadilha que a expôs perante a corte real, Arianrhod correu e na fuga deixou cair um pequeno objeto, que, antes que alguém visse o que era, Gwydion o pegou e enrolou em panos.
 Posteriormente, ele deu o “objeto” para Arianrhod, que descobriu ser outro menino ainda em estado embrionário e o rejeitou.
 Comovido com o infortúnio da criança, Gwydion decidiu cuidar do menino, o adotou e lhe deu a devida educação, ensinando-o a arte da magia.
 Outra suposição considera Gwydion o pai dele, como consequência de uma relação incestuosa com a irmã.
Ao ter revelada a sua gravidez e por se sentir ultrajada por ter parido na frente de todos enquanto considerada virgem, Arianrhod desapareceu na noite, mas antes amaldiçoou o filho para que “ele não tivesse jamais um nome, não pudesse usar armas e nem casar com uma mulher da raça existente na Terra, a não ser que ela concedesse tudo isso a ele”.
 Na cultura matriarcal celta, era a mãe que dava o nome e abençoava seu filho nestes ritos de passagem.
Quando o menino cresceu, Gwydion usou recursos mágicos e transformou a ambos em sapateiros; eles viajaram para o palácio de Arianrhod que tinha encomendado sapatos (outro detalhe pouco plausível para uma deusa lunar). Observando o menino caçando pássaros com estilingue, Arianrhod o elogiou pela destreza.
 Neste momento Gwydion revelou sua identidade e afirmou que Arianrhod tinha acabado de dar um nome ao seu filho, ou seja – Llew Llaw Gyffes “A brilhante e habilidosa mão”.
 O nome Llew Llaw Gyffes era o mesmo de um herói celta - Lugh, personificação de um antigo deus solar. Arianrhod ficou furiosa com a trapaça e jurou que o garoto jamais portaria armas ou tivesse uma mulher.
Com o passar do tempo Llew é treinado nas artes marciais e na arte poética dos bardos e se revela um aprendiz competente.
 Algum tempo depois, tio e sobrinho - disfarçados como viajantes - procuram abrigo no castelo da irmã e se oferecem para entreter a corte.
 No dia seguinte, Gwydion cria uma ilusão mágica de uma invasão inimiga e convence a irmã para intimar todos os homens a se armarem e lutarem.
 Ela concordou e quando começou a distribuir armas para seus súditos Gwydion sugeriu que ela desse armas também para o jovem desconhecido, que era forte e corajoso e podia lutar para defender o castelo.
 Novamente Arianrhod foi ludibriada e ao descobrir que não havia invasão inimiga nenhuma, já tinha quebrado a sua segunda proibição armando seu próprio filho.
 Para remover a última maldição, Gwydion pediu ajuda ao rei Math e juntos e por meios mágicos, criaram uma mulher feita de flores – Blodeuwedd – que foi destinada como esposa para Llew.
 Sendo vencida pela terceira vez, Arianrhod acabou concordando com o casamento do seu filho, que assim se libertou da maldição materna.
Arianrhod aparece neste mito como um arquétipo feminino pouco ético, que comete erros, renega e abandona seus filhos e até mesmo amaldiçoa o menos afortunado, sem jamais se desculpar pelo seu comportamento, agindo de acordo com seu verdadeiro ser e seu poder de soberana.
 Quando deu à luz, Arianrhod não assume sua maternidade, nem proclama seu direito de fazer escolhas e lidar com as consequências como uma soberana, mas se mostra enfraquecida, envergonhada e humilhada, renega seus filhos e foge para o seu castelo.
 Por não querer abrir mão da sua liberdade em benefício dos filhos, sua atitude pouco materna nos parece inadmissível e abominável.
Don, sua mãe, tinha escolhido seus parceiros e pais dos seus três filhos de acordo com a lei antiga, quando a rainha escolhia e demitia seus consortes, sem criar vínculos de casamento.
 Arianrhod pode ter seguido o exemplo materno, permitido pela lei matriarcal, que era de acordo com a sua maneira ”virgem” de viver, morando só no seu castelo e fazendo amor com marinheiros nas praias, nas noites de lua cheia (a metáfora da Lua mergulhando no mar).
 Uma explicação da atitude do seu irmão ao recomendá-la ao rei como sendo virgem, seria que Gwydion queria declarar a sua paternidade perante todos (o incesto entre herdeiros reais era permitido para garantir a sucessão).
 Outra hipótese era que a gravidez e o parto repentino de Arianrhod não eram fatos reais, mas miragens criadas pela magia conjunta do irmão e do tio.
 O objetivo era expor Arianrhod como uma mulher pouco confiável na linhagem do trono e fazê-la ir embora, deixando a sucessão para Gwydion.
 Por ela ser a primogênita e reconhecidamente poderosa, Arianrhod era uma ameaça para o poder masculino e por isso devia ser ridicularizada e banida, reforçando assim a hierarquia real e divina masculina.
No conceito da cultura matriarcal, a virgindade não era ligada à integridade física, mas ao estado de espírito e ao comportamento, virgem sendo a mulher que era livre e completa em si, sem depender de um homem.
 O mito não conta sobre a vida posterior de Arianrhod, nem sobre seus eventuais remorsos e arrependimentos.
 Seu irmão e filho desaparecem da história e ela passa a viver só no seu castelo, fiel a si mesma, fazendo suas escolhas e vivendo a verdade da sua própria luz lunar mutante.
 Alguns estudiosos interpretam este mito como a representação da mudança do direito materno para o paterno, enquanto outros relegam o mito de Arianrhod à história de uma simples heroína celta, sem atributos divinos.
Olhando sob as retificações e distorções cristãs, podemos perceber e resgatar as antigas verdades das sociedades centradas no culto das Deusas e descartar a sua usurpação e difamação pela nova ordem dos conquistadores patriarcais.
 A figura luminosa de Arianrhod resistiu à deturpação milenar e às distorções do seu simbolismo.
 Nas noites de lua cheia, ela pode ser vista sentada no seu trono cósmico, coroada pela magnificência da Corona Borealis, continuando a girar a sua roda prateada e tecer com seus fios o futuro da humanidade.
Comprova-se assim - por metáforas e intrincados simbolismos celtas - a antiguidade das divindades e cultos lunares, a Lua representando as tradições matrifocais das Deusas, que foram substituídos pelos mitos e cultos solares posteriores