sábado, 18 de agosto de 2012

O HINDUÍSMO


O Hinduísmo e a sua beleza sagrada

A Grande Deusa (Maha Devi)

     No pensamento indiano existem muitos seres divinos (Devas), masculinos e femininos; e um Ser Absoluto (neutro), que é Brahman. Todas as divindades, como Brahma, Vishnu e Shiva, são manifestações de Brahman, não são independentes dele. Brahman está além da compreensão conceitual e racional, mas é descrito como tendo a essência da existência (Sat), da consciência (Cit) e da completude ou não-dualidade, que se manifesta como uma felicidade plena (Ananda). 

     De acordo com a tradição indiana, todo o universo e todos os seres são também uma manifestação de Brahman. Existem períodos em que o universo é criado, se mantém durante um certo tempo, depois é destruído – e todos os Devas também desaparecem. Quando isso ocorre, resta apenas Brahman, indiferenciado, e nada acontece. É como se tudo estivesse adormecido – é a noite cósmica, ou noite de Brahman. Depois, Brahman se manifesta, o universo começa a surgir novamente, iniciando-se um novo ciclo cósmico. Brahma (um Deva masculino) é quem atua criando o universo, depois Vishnu é quem o mantém ou sustenta, e Shiva o destruirá. 
     Segundo uma das tradições indianas (no Tantra), existe uma Deusa (Devi) que está acima de todos os Deuses. Ela é chamada de Maha Devi (a Grande Deusa), ou Shakti (a Poderosa). Sua característica principal, como o seu próprio nome diz, é o Poder. Ela é ativa, dinâmica, é considerada como a energia que move todo o universo (inclusive os Devas). Em comparação com ela, os Devas são inertes, inativos, passivos. Nessa visão, temos um conceito exatamente oposto ao que se desenvolveu no ocidente (e em outros lugares, como a China), segundo o qual a energia ou atividade seria uma característica masculina e a receptividade ou passividade seria uma característica feminina. 
     Podemos encontrar alguns aspectos dessa concepção básica indiana na filosofia Sankhya, por exemplo. De acordo com o Sankhya, existem dois princípios cósmicos fundamentais. Um deles é a consciência (Purusha), que é um princípio masculino; o outro é o poder da natureza (Prakriti), que é um princípio feminino. Purusha é passivo, Prakriti é ativa. Todo o desenvolvimento do universo ocorre apenas por causa dos poderes da Natureza. Esses poderes (gunas) são três: tamasrajas esattva. Tamas é o poder da inércia, da tristeza, das trevas, da morte; rajas é o poder da vitalidade, do ego, da força, do prazer e da violência; sattva é o poder da luz, da felicidade e da sabedoria. Os três Devas principais do hinduísmo (Shiva, Brahma e Vishnu) estão associados respectivamente a esses três poderes (tamasrajassattva). Esses Devas são seres que só podem atuar no universo porque a Grande Deusa lhe empresta uma parte de seu Poder. Nenhum deles tem todo o poder da Shakti. 
     A mitologia indiana tem também muitas histórias que mostram que os Devas não são tão poderosos quanto a Shakti. Em alguns mitos, um demônio (Asura) muito poderoso vence todos os Devas (masculinos) e eles vão então pedir ajuda à Grande Deusa, que assume uma de suas formas mais terríveis (como Durga ou Kali) e destrói todos os demônios. 
     A Shakti, ou Maha Devi, é o poder feminino absoluto. Há, no entanto, muitas deusas (Devis) diferentes. Cada um dos Devas, por exemplo, tem sua companheira (sua Shakti), sem a qual ele é incompleto. A Shakti de Brahma é Sarasvati, a de Vishnu é Lakshmi, a de Shiva é Parvati. Essas Devis são manifestações ou aspectos parciais, limitados, da Grande Deusa. No entanto, muitas vezes se identifica Parvati com a própria Shakti. 
     Embora Shiva seja um Deva muito poderoso, ele não é nada, comparado com a Shakti. Ela é ativa, ela tem todos os poderes, ele não tem nenhum poder sem ela. Por isso, muitas vezes ele é representado como um cadáver acima do qual Shakti dança, ou com o qual ela tem relações sexuais.
    Enquanto Shiva e Shakti estão separados, o universo é dinâmico, ele se transforma, está ativo. Quando Shiva e Shakti se unem e se fundem em uma unidade, toda multiplicidade desaparece, o tempo pára. 
     Shakti, o poder feminino, está presente, de acordo com o Tantra, em todas as coisas e todos os seres do universo – mas de forma muito mais forte e significativa nas mulheres. Da mesma forma, Shiva, seu complemento masculino, está presente também em todos os seres, mas especialmente nos homens. 


Manifestações da Shakti 

     Vamos apresentar a seguir algumas das principais Devis, ou manifestações da Grande Deusa:
     Sarasvati é a Deusa associada ao conhecimento, à música e às artes. Ela é a companheira de Brahma, o Deva responsável pela criação do universo. Juntamente com Lakshmi e Parvati, formam a trindade de Deusas (Tridevi). É geralmente representada com roupas brancas (às vezes amarelas), sendo associada a um cisne ou a um pavão. É identificada, muitas vezes, com deusas que aparecem nos textos indianos mais antigos (Vedas): Vak (a Palavra), Savitri ou Gayatri (nome da oração mais sagrada dos Vedas). É a Deusa asssciada à sabedoria sagrada, e por isso se diz que os Vedas são seus filhos. Seu nome quer dizer, literalmente, "aquela que flui", e estava associada a um rio, na mitologia antiga. Muitas imagens de Sarasvati a representam com quatro braços, em um dos quais segura um livro (os Vedas), em outra um rosário indiano (mala) com contas de cristal, representando meditação e espiritualidade, em outro um pote com água sagrada, representando purificação, e por fim um instrumento musical de cordas (Vina) que representa a perfeição nas artes. 
     O nome Gayatri representa um tipo especial de métrica utilizada nos Vedas. Muitos hinos dos Vedas utilizam essa métrica, mas há um hino em especial que é chamado Gayatri Mantra. A deusa Gayatri é uma forma de Sarasvati, associada aos Vedas, uma representação feminina de Brahma. Ela costuma ser representada sentada sobre um lótus vermelho, com cinco cabeças. 
     Lakshmi é uma deusa associada à riqueza, à prosperidade e à generosidade, protegendo seus devotos de problemas financeiros. Também está associada à beleza e encanto. É também chamada de Shri. Ela é a companheira de Vishnu, e tem diferentes nomes quando se casa com as diferentes encarnações (avataras) de Vishnu. Assim, ela é Sita, companheira de Rama, e Rukmini, esposa de Krishna. Com o nome de Mahalakshmi, ela é identificada à Shakti, ou Grande Deusa. Dois de seus aspectos são Bhudevi (a Deusa da Terra) e Shridevi (a Deusa luminosa), que são os aspectos complementares das forças da Natureza (Prakriti). Ela é representada em imagens que mostram uma linda mulher, com quatro braços, sobre um lótus, com bonitas roupas e jóias, distribuindo moedas (significando prosperidade) e acompanhada por elefantes que indicam seu poder real. O lótus representa perfeição espiritual e pureza. 
     Radha é a principal companheira de Krishna, em muitos textos tradicionais. Ela é considerada a Shakti de Krishna e, algumas vezes, é identificada com a Grande Deusa. Assim como Shiva e Parvati, juntos, constituem o Absoluto, há uma tradição que considera que Radha e Krishna juntos constituem a Realidade Absoluta. Às vezes se descreve Radha como tendo se tornado uma esposa de Krishna, às vezes sua relação é descrita como um "amor eterno" (parakiya-rasa). O amor entre Radha e Krishna tem um significado esotérico, representando um amor divino e não mundano. 
     Parvati é a deusa associada a Shiva. Ela é considerada uma representação da Shakti, ou Grande Deusa, especialmente nos seus aspectos de Mãe divina. As outras Devis são consideradas como suas filhas ou manifestações. Os devotos da Shakti a consideram como a Shakti suprema, incorporando toda a energia do universo. Embora seja apresentada como uma divindade benigna, Parvati também tem aspectos terríveis, como Durga, Kali, Chandi. Ela também tem dez aspectos complementares, as Mahavidyas. Suas formas benevolentes são Mahagauri, Shailputri e Lalita. O nome Parvati significa "a das montanhas", pois é considerada filha do Senhor das Montanhas (Himavan). Ela tem muitos outros nomes, como Gauri (a dourada), Ambika (a mãe), Bhairavi (a terrível), Kali (a negra), Uma, Lalita, etc. Na mitologia, Parvati tem dois filhos, Ganesha e Skanda, mas na tradição Shakta ela é a mãe de todos os Devas e Devis. O veículo (vahana) de Parvati é um leão ou tigre. A união de Shiva com Parvati é considerada como equivalente ao Absoluto, ou Brahman. 
     O nome Durga significa "a invencível" ou "a inatingível". Ela é uma forma da Shakti invocada para superar situações de dificuldade e sofrimento. É uma forma guerreira de Parvati. É representada com dez braços, e seu veículo é um tigre ou um leão. Ela é considerada um poder auto-suficiente (svatantrya). Pode ser considerada como uma forma de Kali, embora suas aparências sejam distintas: Kali é negra, Durga é branca e radiante. Kali tem uma aparência horrível e é representada com símbolos associados à morte, Durga é linda e tem belos ornamentos de ouro, pérolas e pedras preciosas. Durga é uma representação da Shakti, e por isso é descrita como possuindo todos os poderes de todos os Devas. Na mitologia, ela surge para combater um demônio invencível, Mahishasura. 
     Kali, também conhecida como Kalika, é uma Devi associada à morte e à destruição. Seu nome significa "a Negra", mas também está associado à palavra Tempo (Kala), podendo ser interpretada como o Poder do Tempo. Ela é uma forma terrível, guerreira e destruidora de Parvati, e é também a principal das Mahavidyas, as dez formas tântricas da Grande Deusa. Está associada a cadáveres, ao sangue, aos chacais e aos terreiros de cremação de corpos. Seus adornos são de cabeças humanas decepadas. Na literatura tântrica, Kali tem um papel central nos textos, nos rituais e na iconografia, sendo considerada como uma representação da Grande Deusa (Maha Devi) ou Shakti. Embora geralmente seja representada sob uma forma terrível, às vezes assume uma forma jovem e bela e seus aspectos positivos são indicados, por exemplo, na expressão Kali Ma (Mãe Kali). 
     Chamunda é o nome de uma forma terrível da Grande Deusa, sendo uma das sete Deusas Mães e uma das principais Yoginis (um grupo de deusas do Tantra, que acompanham Durga). O nome Chamunda é uma combinação dos nomes dos demônios Chanda e Munda, que ela destruiu numa batalha. Muitas vezes, Chamunda é identificada com Kali. Ela é cultuada com sacrifícios de animais e oferecimento de vinho. Ela é representada com uma cor negra ou vermelha, com uma guirlanda de cabeças decepadas (como Kali). 
     Lalita, "Aquela que Brinca", é o nome de uma forma benigna de Parvati. Ela é também chamada de Tripura Sundari, Shodashi e Rajarajeshvari. Pertence ao grupo das dez Mahavidyas. O nome Shodashi significa uma jovem com dezesseis anos, e representa dezesseis tipos de desejos. Lalita, ou Tripura Sundari, está associada ao Shri Yantra e ao Shri Mantra. O nome Tripura significa "Os Três Mundos" (Terra, Atmosfera, Céu) e Sundari significa "A Mais Atraente", ou "A Mais Bela". Assim, Tripura Sundari é a Deusa mais bela dos três mundos. Na iconografia, é sempre representada como uma linda jovem, geralmente com roupas vermelhas. O hino Lalita Sahasranama (os mil nomes de Lalita) descreve todos os seus atributos. 
     O nome Mahavidya vem das palavras Maha (grande) e Vidya (sabedoria, revelação, conhecimento). É um grupo de dez deusas conhecidas como Deusas da Sabedoria por revelarem aspectos auspiciosos do conhecimento da Grande Deusa. Elas são: Kali, Tara, Tripura Sundari (ou Lalita), Bhuvaneshvari, Bhairavi, Chhinnamasta, Dhumavati, Bagalamukhi, Matangi, Kamalatmika. Cada um dos nomes da Deusa possui uma vibração especial. Eles são Mantras, e entonação correta, sob a orientação de um Guru, confere realização espiritual. A forma feminina confere bênçãos ao devoto, liberando-o do mundo material e da roda de reencarnações. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

DEUSA CEREÁLIAS

Cereálias

(Cereália - Este festival romano em homenagem a Ceres, deusa dos grãos e das colheitas, lembra-nos de um antigo ritual.
Plante seus desejos e veja-os germinarem.
Coloque alguns grãos de sua preferência em um buraco no jardim ou num vaso e, enquanto mentaliza, peça a ajuda de Ceres para seus desejos se realizarem.
Filha de Saturno e de Vesta (ou, em outras versões, da Lua), Ceres (Demeter) presidia a agricultura.
Ensinou a arte de cultivar a terra aos seres humanos e também a colher o trigo e fabricar o pão. É propiciadora do trigo, planta símbolo da civilização.
É a deusa da terra cultivada, das colheitas e das estações do ano.
Júpiter, que era irmão de Ceres, apaixonou-se pela deusa e desse encontro nasceu Perséfone.
Ceres é gentil, protetora das mães e de seus bebês.Representa o poder maternal e nutritivo, voltado ao que é básico e simples, cuidando da terra para que ela produza os elementos necessários para a sobrevivência da espécie.
Seu simbolismo confere uma tonalidade mais nítida ao tipo de nutrição que somos capazes de nos dar e dar aos outros.
Ela é uma das doze divindades do Olimpo. Os seus atributos são a espiga e o narciso, e tem sempre numa das mãos uma foice, e na outra um punhado de espigas e papoulas.
Essa Grande Mãe que acolhe, cuida e cura é a regente do signo de Virgem e, na Mitologia, era também a deusa da fertilidade, o que serve para nos lembrar que é assim que deve ser a nossa vida: fértil e produtiva.
Deusa Ceres
Ceres, a deusa das plantas que brotam e do amor maternal. Era filha de Saturno e Cibele, e também amante e irmã de Júpiter, normalmente era vista com um cesto de flores e frutos, um cetro e uma coroa feita de orelhas de trigo.
Ceres pediu a Júpiter para que a Sicília fosse colocada nos céus, então ele criou a constelação Triangulum, que antigamente se chamava Sicília.
A palavra “cereal” deriva do nome da deusa romana, associando a imagem da deusa aos grãos.

FULLA DEUSA NÓRDICA

FULLA A DEUSA NÓRDICA DA ABUNDÂNCIA



Fulla é a Deusa Virgem Nórdica da Abundância, também era a Guardiã das jóias da Poderosa Deusa Frigga, a Deusa do Amor.

A Caixa de Frigga segundo as Antigas Lendas, guardaria todos os Mistérios da Mulher.

Fulla neste contexto representaria a única Deusa de total confiança de Frigga, que por sua Pureza de Alma seria a única criatura capaz de abrir a Caixa Mágica de Frigga respeitando e preservando em segurança os Mistérios e Tesouros jamais revelados a nenhum Mortal.
Para aqueles que desejarem a interseção de Fulla, a linda Deusa Nórdica da Abundância lhes envia a seguinte Mensagem :

" Se quizeres tentar desvendar os Mistérios do Universo reservados a ti, desenha ou constrói para ti uma pequena caixa.
Dentro dela descreves todas as tuas habilidades que te são naturais. Depois escreves também, tudo que te é mais precioso nesta Vida : tua Saúde, teus filhos, teu Amor, Riquezas do Espírito e Materiais.

Feito isto guarda esta tua preciosa caixinha em um local onde ninguém possa vê-la exceto ti mesmo ( a ).

E lembra : Se desejares do fundo de tua Alma pedires meu auxílio em alguma necessidade, pedes com Fé e respeito e que Digno seja teu propósito, pois assim não me furtarei em te ajudar de pronto, porém sempre que desjares meus favores não te esqueças de levar contigo tua Caixa Mágica, nela estão guardados os Mistérios e Tesouros que nesta Vida a ti estão reservados e que eu Fulla, Deusa da Abundância humildemente te ajudarei a compreender e conquistar ! "

ASCENSÃO DA DEUSA

 

O Mito da Ascensão da Deusa




E veio o Tempo no Reino das Sombras em que Diana daria à luz o Filho do Grande Deus Negro.
Os Senhores dos Quatro Cantos vieram e olharam o Deus recém-nascido. Contaram a Diana a respeito do sofrimento do povo que vivia sobre o Mundo e como eles amargavam no frio e na escuridão; então, Ela pediu aos Senhores que levassem Seu filho para o Mundo e assim o povo se rejubilou, pois o Deus Sol havia voltado.

E aconteceu que Diana sentiu saudade da Luz da Mundo e de Seus muitos filhos; assim, Ela viajou para o Mundo e foi recebida com grandes festas.

Então, Diana viu o Esplendor do novo Deus que cruzava os Céus e O desejou. Mas a cada noite Ele voltava para o Reino Oculto e não podia ver a beleza da Deusa no Céu Noturno.

Assim, uma manhã, a Deusa se levantou quando o Deus saiu do Reino Oculto e se banhou nua no Lago Sagrado de Nemi.
 Os Senhores dos Quatro Cantos apareceram ao Deus e disseram:
 "Veja a doce beleza da Deusa da Terra".
 E Ele olhou e foi atingido de tal modo pela beleza Dela que desceu à Terra na forma de um Grande Gamo.

"Vim brincar ao lado de Seu banho", disse Ele, mas Diana encarou o Gamo e replicou:
 "Você não é um Gamo, mas um Deus!".
 E Ele lhe respondeu:
 "Eu Sou Cornunno, Deus da Floresta, e quando me ponho de pé sobre o Mundo, também posso tocar o Céu; Sou Lupercus, o Sol, que expulsa o Lobo da Noite, mas além de tudo, Sou Eu, o primeiro de todos os Deuses!".

Diana sorriu e saiu da água em toda a Sua Beleza.
 "Eu Sou Fauna, Deusa da Floresta; quando estou em Sua Presença, Sou Jana, Deusa da Lua, mas além de tudo, Sou Eu, a primeira de todas as Deusa!".


E o Deus, A tomou pela mão e juntos andaram pelos campos e florestas, contando Suas histórias de Antigos Místérios.
 Eles se amaram e foram Um e juntos reinaram sobre o Mundo. No entanto, mesmo apaixonados, Diana sabia que o Deus logo faria a travessia para o Reino Oculto e a Morte voltaria ao Mundo. Então, Ela deveria descer e aceitar o Senhor Negro e dar à luz o fruto de Sua União.

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O MITO DE LUPERCUS

 

O Mito de Lupercus




Houve um tempo na Terra do Povo que foi a Era do Grande Sofrimento, a Era do Lobo. Dianus, Senhor do Sol, havia viajado para longe e tudo sumira com Sua ausência; então os Grigori dos Quatro Ventos saíram à procura Dele para suplicar-lhe que voltasse.

Mas aconteceu que os Grigori foram trazidos perante o Trono de Dis, o Senhor Negro das Sombras, e disseram:
 "Então encontramos você aqui, no Reino da Vida Obscura?"
 "Sim,"
 Dianus respondeu; "Agora vocês realmente viram minhas duas faces." Então os Grigori suplicaram a Dianus que voltasse, contando o sofrimento que Ele deixara atrás de Si no mundo. Mas Ele declinou, dizendo: "Os Deuses das Brumas, que são mais fortes do que Eu, ordenaram que seja assim, e não tenho forças para mudar o que deve acontecer".

Diana tinha entreouvido a conversa e levou os Grigori para o lado, em segredo. "Vocês precisam levar meu Filho Lupercus, que será gerado de Dianus, para que possa devolver a Luz ao Mundo." Então, chegou a hora, os Grigori pegaram o Deus recém-nascido e começaram sua longa jornada de volta do Reino das Sombras. Enquanto viajavam, comentavam como provar ao Povo do Mundo o valor desse novo Deus e decidiram, então, submetê-lo ao teste dos Doze Trabalhos de Lupercus:

  

1. Transportar o Carneiro Sagrado e colocá-lo entre as Estrelas.
2. Purificar o esconderijo do Sagrado Touro Branco.
3. Domar as Serpentes Gêmeas de Téramo.
4. Levar o Grande Carangueijo do Mar para o Horizonte Ocidental.
5. Libertar o Leão Sagrado.
6. Modelar um Arco a Deusa Diana.
7. Forjar as Grandes Balanças da Justiça para os Deuses.
8. Prender novamente o Escorpião Gigante dentro da Terra.
9. Fazer uma Flecha de Ouro para o Rei dos Centauros.
10. Modelar dois Chifres de Ouro para o Grande Peixe-Cabra.
11. Purificar as Jarras de Água dedicadas aos Deuses.
12. Amarrar os Dois Grandes Peixes do Mar e colocá-los entre as Estrelas.

Corajosamente o jovem Deus completou as tarefas designadas e foi recebido pelo Povo do Mundo em todo o Seu Brilhante Esplendor. Devido à ausência do Sol, muitos lobos atacavam à noite as manadas e os rebanhos e as pessoas estavam desesperadas; então Lupercus desceu de Áster e foi viver com os lobos; tendo-se transformado num poderoso Lobo Dourado, Ele se tornou o Rei deles; se estivesse zangado, à Sua presença, todos lobos fugiam para os bosques e montanhas. Então, o Povo se rejubilou, clamando:  "Grande é Lupercus, Senhor do Sol, Rei dos Lobos, Expulsor da Noite do Lobo Negro".


Assim, a cada dia, Lupercus se levantava e viajava pelos Céus, carregando sua Tocha de Erva-Doce. Enquanto passava, Lupercus reunia as Almas dos que haviam morrido durante Sua ausência do Céu e as entragava a Seu Pai Dianus no Grande Reino Oculto, que ficava para além das Águas Ocidentais. Lá, Elas recebiam refrescos e eram preparadas para uma nova vida, quando então os Grigori as escoltariam ao Reino da Deusa em Luna, para aguardar o renascimento. Toda noite Lupercus descansava no Reino Oculto, para fazer novamente Sua Jornada através do Mundo dos Mortais.

HERA A RAINHA DO CÉU

Hera, A Rainha do Céu!

 


- Sim, agora minha pequena Hera está a salvo... Mas até quando?
Assim dizia Réia, após ver resgatada, do ventre de Seu cruel esposo Cronus, a Sua filha querida.
 O Velho Deus havia engolido um a um os Seus filhos, tão logo estes haviam nascido; Zeus, porém, lhe ministrara uma bebida encantada, obrigando-o a regurgitá-los de volta para os braços da Mãe. Réia, a Precavida, imaginava agora um meio de manter a salvo a Sua filha dileta.
"Tenho um pressentimento de que a Ela está destinado um lugar de honra na corte celestial!", pensava a Deusa, acariciando os cabelos de Hera.
Imaginava Réia, como todas as mães, divinas ou não, que sua filha excederia em beleza e poder todas as outras filhas da face da Terra ou da imensidão do Céu.
De repente seus olhos avistaram, para o ocidente, um fulgor intenso. 
— É isto! — exclamou Réia, feliz. — Levarei-a para o país das Hespérides! 
Hespérides eram três encantadoras Deusas que governavam um país paradisíaco, onde a Primavera era eterna e a necessidade não existia.
— Queridas amigas, preciso entregar a minha bela Hera aos seus cuidados, pois somente aqui ela estará em segurança.
Abriram um largo sorriso, enquanto uma Delas envolvia a Deusa em suas vestes esvoaçantes.
— Vá em paz, Réia — disse esta. — Nós faremos da Sua filha a mais poderosa das Deusas.
Hera respondeu apontando o dedo para o céu.
O tempo passou e Hera tornou-se uma Deusa de maravilhosa beleza.
 As Hespérides eram unânimes em reconhecer este seu atributo, que fazia par com o da perfeita sapiência.
— Vejam: os animais e mesmo as flores parecem ficar felizes tão logo sua presença se anuncia — diziam alegremente as irmãs, todos os dias, umas às outras.
Hera, contudo, apesar de estar satisfeita naquele lugar paradisíaco, ambicionava mais alto. Com olhos postos no céu, suspirava todos os dias:
—  Tudo é belo... mas eu queria mesmo era ser Rainha do Céu.
Por uma natural inclinação, a moça procurava sempre os lugares mais altos da ilha para dar largas à sua imaginação. Havia um rochedo, à beira-mar, que era o seu refúgio especial.
— Mais um passinho e posso quase tocar o céu... — dizia ela, brincando e esticando seu alvo dedo.
Um dia, estando ali sentada, sentiu muito calor. Então avistou no horizonte uma nuvem que vagava meio sem jeito, como que perdida das outras.
— Adoro chuva! — pensou, esticando o pescoço na ânsia de ver as companheiras daquela comparsa extraviada.
 — O único defeito deste país encantador, se há algum, é o de chover tão pouco!
Então pôs-se em pé, cerziu os olhos e começou a pensar com toda a força:
— Quero muito que chova!
Que chova muito! É o que quero!
Hera reabriu os olhos e viu que agora aquela nuvem mal-esboçada e solitária, lá adiante, havia ganho uma inesperada e rechonchuda companheira.
 A jovem fechou os olhos outra vez e repetiu com toda a força:
— Quero muito que chova! Que chova muito! É o que quero!
Quando reabriu outra vez os seus olhos, viu que um exército de outras nuvens havia se juntado à primeira, engolfando-a num turbilhão escuro e barulhento.
 Hera colocou-se na ponta dos pés e aspirou profundamente.
— Hmmm.... Perfume de chuva, não há outro igual.
Num instante as nuvens chegaram, e a jovem Deusa comandou do alto uma tremenda tempestade, como nunca as Hespérides haviam visto.
 Os raios esgrimiam ao redor da jovem os seus espadins recurvos, porém sem nunca atingi-la, enquanto a água da chuva a envolvia num frescor delicioso.
Depois que a chuva passou e um vento fresco secou suas roupas, afastando para longe as nuvens tempestuosas, Hera olhou para o céu, novamente azul.
— Tudo é belo... Mas eu queria mesmo era ser Rainha do Céu.
Neste instante uma águia de asas imensas surgiu das alturas.
 A ave, após rodopiar ao redor da Deusa, agarrou-a delicadamente e suspendeu-a no ar. Hera, embora surpresa, não se assustou; algo lhe dizia, secretamente, que o seu sonho começava a se concretizar.
— Para onde me leva, águia sutil?
Foram ambas subindo, a águia e a Deusa, até que, adentrando o próprio Céu. Hera viu-se diante do jovem Zeus.
— Estou no Céu! — gritou Hera, de olhos brilhantes.
O Pai dos Deuses explicou então a Hera tudo o que havia ocorrido e como Ele a havia salvo do ventre do tirânico Pai de ambos, Cronus.
Hera, agradecida, abraçou os joelhos de Zeus. Depois disse a Ele, radiante de esperança:
— Tudo o que você diz é belo... Mas eu queria mesmo...
O pudor, entretanto, impediu-a de repetir pela milésima vez o seu desejo.
— Sim, adorada Hera, você será, sem dúvida, Rainha do Céu — completou Zeus, sorridente, que escutara diversas vezes, ali do alto, a jovem clamar por seu desejo.
 — Desde que a vi manejando a tempestade e orquestrando os raios, decidi que seria a esposa ideal para mim.

E foi assim que Hera casou-se, tornando-se Rainha do Céu e dando início à história do casal mais famoso da Mitologia Antiga.

O MITO DA CRIAÇÃO

 

O Mito da Criação




A Criação
Antes de o Tempo existir…

Foi no passado, bem perto do princípio das horas da eternidade, muito antes de o Tempo existir, que havia à Deusa, Solitária, Majestosa, Plena em Si mesma, Ela que flutuava no Abismo da Escuridão, antes do início de todas as coisas.

A Deusa era tudo, e tudo era a Deusa… E a vasta extensão conhecida como Universo, de uma ponta a outra, era a Deusa, que futuramente iria ser chamada de vários nomes e teria várias faces, mas seria Ela a Única, a Primeira…

Então, a Deusa nasceu da Deusa… Ela quis nascer Dela própria, por Ela, e para Ela.

Porque a Deusa é tudo e tudo é a Deusa…

O primeiro mistério então se fez, e a Deusa se criou Dela própria.

Ela é o início…
Ela é a Energia Primordial…
Ela é a Mãe do Universo e do Destino…
Ela é completa, e tudo esta Nela, pois Ela é o início e o fim…
Ela é três e ao mesmo tempo não, pois todo o infinito é Ela…
Existente, Onipresente, Onisciente, Onipotente e Eterna…


E quando Ela mirou o Espelho Curvo do espaço negro, Ela viu com Sua Luz o Seu Reflexo Radiante, e viu-se só…

Neste Tempo os Elementos da Criação que são a própria Deusa, estavam grudados Nela, Terra, Ar, Fogo e Água todos estavam Nela e emanavam Dela… Por que sabemos que:

A Terra é o Corpo Dela,
O Ar o Seu Sopro,
O Fogo o Seu Espírito,
E a Água o Seu Útero Vivo.

A Criação estava na Deusa, e proveria da Deusa, porque a Deusa é tudo e tudo é a Deusa…

Ela moveu o espaço e moldou com Sua Energia Divina o Deus, o primeiro que Ela consagrou. Formando Ele com a Terra, que é o Seu Corpo, e soprou em Suas narinas o Ar que é o Seu Sopro de Vida, e dentro Dele fez queimar o Fogo Sagrado que dá Poder, Força e transforma, que é o próprio Divino Espírito Dela, e então fez, Ele nascer da Água, ainda infecunda, que é o Seu Divino Útero Vivo, então o Caldeirão da Criação começou a borbulhar e se mexer e se mover…

Neste movimento, Ele tornou-se, o bondoso e risonho Deus do Amor, então transformou-se no Deus Verde, coberto de vinhas, enraizado na terra, o Espírito de todas as coisas que crescem. Por fim, tornou-se o Deus da Força, o Caçador, cujo rosto é o Sol Vermelho, mas, no entanto, escuro como a Morte.

Mas o desejo sempre O devolve a Deusa, de modo que Ele e Ela circulam eternamente, buscando retornar em Amor. Pois nada que é vivo, que veio da Deusa pode viver sem a Deusa.

Pois a Deusa é tudo e tudo é a Deusa…

A Deusa com a ajuda do Deus formou gases com a Sua Energia e também com a Energia do Deus, e o Seu êxtase irrompeu na única canção de tudo que é, foi ou será, e com a canção surgiu o movimento, ondas que jorravam para fora e se transformaram em todas as esferas e Círculos dos Mundos, e sóis, e planetas, e luas, e estrelas, e cometas, a partir dos gases, e com uma explosão de Luz e Alegria, Eles, a Deusa e o Deus, salpicarão todo o Universo com globos rotatórios, e assim tudo recebeu forma das mãos da Deusa e das mãos do Deus.


A Luz surgiu e o Céu foi iluminado por bilhões de sóis, e a Deusa e o Deus, satisfeitos e felizes com o Seu trabalho, regozijaram e se amaram e se uniram… Se tornaram Um. De Sua união surgiu às sementes de toda a Vida e da Raça Humana, a Deusa encheu-se de Amor, que crescia, e deu à Luz uma chuva de Espíritos Luminosos, puros na sua essência, preparados para aprender; então, Ela espalhou Vida em todo o Universo, em todos os cantos do Universo Ela colocou Vida…

E esses Espíritos ocuparam os Mundos e tornaram-se todos os seres. Ela escolheu a Terra como local de descanso e Seu trabalho quase completou. A Raça Humana, o Povo, Ela colocou na Terra, para que possa atingir reencarnação sobre ela.

E Ela nos formou Dela, por Ela e para Ela, com os Quatro Elementos da Criação, com a Terra que é o nosso corpo e que é o Corpo Dela, e o Ar que é nossa respiração, que é o Sopro Dela, e o Fogo que é a temperatura do nosso corpo e a Fé em nossos corações, que é o Espírito Dela, e a Água que é o nosso sangue que é o Útero Vivo Dela, estamos unidos a Ela em sangue e espírito, e a Deusa reside dentro de nós, pois também somos a Deusa e o Deus.

E antes que o Povo vagasse pelo mundo, viviam na Terra os Quatro Grandes Espíritos dos Elementos e seus acompanhantes, Seu Povo Mágico. E com Eles estavam os Espíritos das Árvores e dos Prados, Espíritos dos Rios e Montanhas e todos os outros Espíritos Mágicos que poderiam se comunicar conosco. E pediu a Eles, todos esses que sempre nos instruísse, mas, que nos desse Livre Arbítrio, para assim aprendermos e evoluirmos com sabedoria de acordo com nossas escolhas, a Sabedoria provém da Deusa.

Porque a Deusa é tudo e tudo é a Deusa…

Ela que existia muito antes de tudo aquilo que criou. Aquela que está além do Tempo e do Espaço, escolheu a Lua como o Seu Símbolo e a todos os habitantes da Terra Ela falou:

Sou a Grande Mãe, cultuada por todas as criaturas e existente desde antes de sua consciência.
Sou a Força Feminina Primitiva, Ilimitada e Eterna.
Sou a Deusa da Lua, a Senhora de toda a Magia, os ventos e as folhas que balançam cantam meu Nome, uso a Lua Crescente em minha fronte e meus pés se apóiam sobre os Céus Estrelados.
Sou os Mistérios não solucionados, uma trilha recém-estabelecida,
Sou o campo intocado pelo arado, alegre-se em Mim, e conheça a plenitude da juventude.
Sou a Mãe Abençoada, a Graciosa Senhora da Colheita, trago a profunda e fresca maravilha da Terra e o ouro dos campos carregados de grãos.
Por mim são geridas as temporadas da Terra; tudo frutifica de acordo com minhas estações.
Sou refúgio e cura.
Sou a Mãe que dá vida, maravilhosamente fértil.
Cultue-me como a Anciã, mantenedora do inquebrado ciclo da Morte e Renascimento.
Sou a Roda, a Sombra da Lua, controlo as marés das mulheres e dos homens e forneço libertação e renovação às almas cansadas, apesar de as Trevas da Morte serem meu domínio, a alegria do nascimento é meu Dom.
Sou a Deusa da Lua, da Terra, dos Mares,
Meus Nomes e Poderes são múltiplos, distribuo Magia e Poder, Paz e Sabedoria.
Sou a Eterna Donzela, a Mãe de Tudo, e a Anciã das Trevas, e envio para todos bênçãos de amor sem limites.

O Deus optou pelo Sol como o Seu Símbolo e a todos os habitantes da Terra Ele falou:

Sou o Radiante Rei dos Céus, inundando a Terra com calor e encorajando a Semente Oculta da Criação a germinar-se em Manifestação.
Ergo minha brilhante lança para iluminar as vidas de todos os seres e diariamente despejar ouro sobre a Terra, expulsando as forças das Trevas.
Sou o Mestre dos Animais selvagens e livres.
Corro junto ao ágil gamo e pairo como um falcão no Céu Cintilante.
Os antigos bosques e locais silvestres emanam meus Poderes, e as aves voadoras cantam minha força.
Sou ainda a Última Colheita, oferecendo grãos e frutos ante a Foice do Tempo, para que todos sejam alimentados, pois sem a plantação não pode haver colheita, sem o Inverno, não haverá Primavera.
Cultue-me como o Sol da Criação de Mil Nomes, o Espírito do Gamo Cornudo nos bosques, a Infindável Colheita.
Observe no ciclo anual dos festivais o meu nascimento, minha morte e meu renascimento, e saiba que este é o destino de toda a Criação.
Sou a Centelha da Vida, o Radiante Sol, o que dá Paz e Descanso, e envio raios de bênçãos para aquecer os corações e fortalecer as mentes de todos.

A Lua e o Sol no Céu lembram aos habitantes da Terra de seus Criadores… E nós acreditamos Nela e invocamos e chamamos por Ela, pela Deusa e com a Deusa junto com o Deus.

Por que a Deusa é tudo e tudo é a Deusa…

Invocamos e chamamos por Ti, ó Mãe Gloriosa de todos nós,
Pela semente e pela raiz, pelo tronco e pelo botão,
Pela folha, pela flor e pelo fruto, pela vida e pelo amor nós Te invocamos.

E Ela vem, nos dizendo:

Sou a água que desliza sobre a pedra,
E Sou a própria pedra,
Sou a brisa da noite e o orvalho da manhã.
Sou a erva que cura e afasta a dor.
Sou o infinito e não tenho meio, começo, nem fim.
Sou tudo o que existe e presenteio-te com minhas dádivas.
Pois estou ligada a todos vocês e vocês a mim pela Grande Teia da Vida.

E tudo nasce, vive, morre e renasce sob a Lua e o Sol, todas as coisas surgem sob Eles, e tudo ocorre com as bênçãos da Deusa como tem sido a existência… Antes de o Tempo existir… Tudo começou em Amor; tudo busca retornar em Amor. O Amor é a Lei, mestre da sabedoria e o grande revelador dos mistérios…

Assim era no princípio,
Assim é agora e assim será.