quarta-feira, 2 de julho de 2014

FRIGGA





Frigga é a Deusa escandinava da fertilidade da terra, protetora das famílias e das tribos.
Seu nome significa "Aquela que ama" e é conhecida pelos nomes: Frigg, Frige, Frija, Fricka, Frea, Frewa, Fruwa, Hlin, Hlyn, e Lin. Vrou-elde era o nome holandês dela.
Como esposa de Odin, mãe de Baldur (o Deus da Primavera e do Renascimento ou da Regeneração), Frigga era a Suprema Deusa Mãe dos Deuses Aesir, dinastia dos Deuses do céu indo-europeu e filha de Fjorgyn.
Frigga era a Deusa do Amor, da União e do Destino. Contava-se que em um salão de seu palácio em Fensalir, em um dos mundos míticos germânicos, havia um grande tear onde as Norns, as Senhoras do Destino, enrolavam cordões para que Frigga pudesse tecer tanto o destino dos homens, quanto as nuvens do céu.

Esta atribuição associava esta Deusa também a rios, cachoeiras e água doce.
Fensalir era o local onde as almas dos cônjuges que tinham sido fiéis um ao outro se reuniam após a morte, para nunca mais se separarem.
Uma estrela da Constelação de Órion é chamada de "Friggajar Rockr", em sua homenagem.
O fuso é um poderoso símbolo que representa a sabedoria, a virtude e a indústria feminina.
A tecelagem, para os vikings, foi uma importante fonte de renda que enfatizava o poder das mulheres na tradição pagã. Nas mãos de Frigga e das Norns, o fuso transformou-se em uma poderosa arma mágica.
Os vikings acreditavam que ela conhecia o destino dos homens, em virtude desta sua ligação com as Norns.
Na maioria das vezes, Frigga se apresentava como uma mulher vestida com penas de falcões e gaviões, podendo ainda, viajar na forma de um desses pássaros.
Frigga está associada ao início do Ano Novo.
A noite mais longa o ano era dedicada à esta Deusa. Todas as mulheres grávidas invocavam Frigga, acendendo uma vela branca, nas festividades do Solstício de Inverno, para terem um parto seguro.
Pode ser invocada também, para ajudar em toda as coisas relacionadas com os ofícios de tear, cozinhar, costurar, e também para proteger as crianças.
É ela ainda, que estabelece ligação com nossos antepassados.
Os detalhes de sua adoração ficaram perdidos quando foi instituído o feudalismo.
Frigga aparece somente em alguns registros do folclore alemão, onde sobreviveu como Frau Holda.
As Deusas Holda, Percht e Berchte são muito similares a Frigga.


Como Deusa das mulheres, Frigga era considerada a Padroeira do Matrimônio e Deusa da Fertilidade. Neste aspecto está associada a Deusa Hera grega, que também era uma feroz protetora das uniões conjugais.
Assim como Hera, Frigga é casada com o Deus Supremo de sua religião.
Diferem entretanto, no que diz respeito a fidelidade.
As Deusas escandinavas não eram necessariamente fiéis, pois estavam em pé de igualdade com o homem. Além disso, o adultério não era encarado com o aspecto de total imoralidade, como em nossos dias.
As mulheres nórdicas que não traiam seus maridos, não tinham respaldo em códigos morais, mas alegavam que os amavam verdadeiramente.
A base de tais conceitos está fundamentada na origem da criação.
Para os nórdicos, toda energia masculina derivava da Deusa, ou energia feminina.
A Fêmea é aquela que dá luz e o invólucro da criação. Dentro desse contexto, todas as coisas, inclusive o homem de sexo masculino, vêm da Mãe de Todas as Coisas. É exatamente o oposto do conceito cristão de Adão e Eva, onde Deus moldou Eva a partir da costela de Adão.

A mulher primitiva era não tida como pecadora e podia-se unir-se sem culpa, a quantos homens desejasse. O amor era bom enquanto durasse, não era uma instituição e sim uma união que só se fortalecia se houvesse um sentimento maior.
Frigga teve uma união bem-sucedida com Odin, tanto que dividiu seu trono, chamado Hildskjalf, com ele e de onde podia ver os nove mundos.
Entretanto, dividia sua cama com Vili e Ve, irmãos de Odin, quando este último saía em jornadas fora de Asgard.
O adultério era desculpado pelos nórdicos, mas condenado pelos gregos.
Frigga era considerada como a Deusa defensora da paz.
Eram às mulheres que cabia o papel de intermediadoras e promotoras da paz.
O culto à Frigga era base para todas as uniões legais entre homens e mulheres e a base para todos os códigos morais da sociedade germânica.
Por esta razão, os seguidores de Frigga eram considerados mediadores, ou primitivos advogados que ocupavam uma posição elevada, honrada e respeitada pela comunidade.
Para eles, a lealdade e a família vinham em primeiro lugar, seguido pelos amigos do clã, o Senhor e o Rei. Quebrar um juramento, naquela época levava o indivíduo à morte ou banimento pela sociedade.
O banimento era considerado uma morte lenta e tortuosa, pois o indivíduo era deixado só em uma região totalmente isolada de muito frio e neve, sem nenhum alimento.

Esta Deusa do Amor era também versada na arte da magia e profecias
Foi ela que introduziu as runas como instrumentos de adivinhação.
Runas são pedras grafadas com símbolos, que nos permite encontrar respostas para um futuro incerto.
Mas para a Deusa, esta habilidade de prever o futuro lhe trouxe muita dor quando previu a morte de seu filho Balder.
E, mesmo sabendo que não poderia mudar o destino, viajou por todos os lugares pedindo aos seres que nunca fizessem mal ao seu amado filho.
Balder, entretanto, não poderia ser ferido ou morto, a não ser pelo veneno de um visco.
Então, Loki, que invejava a beleza e juventude de Balder, portador desta confissão, pois aproximou-se em segredo, disfarçado de mulher, encontrou um pouco de visco e fabricou um jogo de dardos com ele.
Foi então até uma reunião dos Deuses e convencer Holdur, um deus cego (irmão de Balder) a arremessá-los contra Balder, que morreu.
Todos os Deuses e Frigga choraram a sua perda. Sua mãe tentou negociar com Hel, a Rainha do Mundo dos Mortos, para trazer seu filho de volta, mas tudo foi em vão.
O tempo passou e tudo começou a estagnar-se. O Lobo Fenris se libertou de seus grilhões e devorou o Sol. A árvore do mundo, Yggdrasil, tremeu das raízes a copa. Montanhas afundaram no mar e todo o país tremeu. Um longo inverno se seguiu, trazendo a fome e a libertação dos gigantes do gelo que devastaram o mundo.
Odin uniu-se às Valquírias e os poderosos Deuses do Aesir para combater Fenris e estabelecer a ordem. Vencendo a batalha, finalmente a terra renasceu do mar, o Sol reapareceu no céu e Baldur ressuscitou dos mortos para governar os novos tempos.
Dois mortais que sobreviveram escondidos nos galhos da árvore do mundo povoaram a Terra e novas colinas ergueram-se dos mares. A natureza tornou-se viva e florescente através das bençãos de Frigga, a Deusa da Fertilidade e do Amor.

Frigga possuía onze ajudantes: Fulla, Hlin, Gna, Vjofn, Lofn, Syn, Gefjon, Snotra, Eira, Vara e Vor, que lhes auxiliavam em sua missão de zelar pelo casamento e pela ordem social.
A mensageira de Frigga é Gna, que monta o cavalo Hofvarpnir através dos céus.
Vjofn tinha a tarefa de apazigüar as brigas domésticas.
Lofn auxiliava os amantes na procura de um amor.
Syn (vidente) era a guardiã do Palácio de Frigga.
Eira era a curadora, tinha conhecimento do poder das ervas e as manipulava no fabrico de remédios.
Vara era a juíza e o carrasco daqueles que não cumpriam com sua palavra.
Snotra era a virtude, encarregada do arquivamento de todas as coisas.
Vor era os olhos de Frigga que podiam ver o futuro e que observava de perto o que acontecia no mundo dos homens.
É interessante acrescentar que Frigga é uma Deusa muito antiga, com fortes conexões com a Terra.
O controle da natureza exercido por Frigga é claramente visualizado quando ela pede para que toda a criação não prejudique seu filho Baldur e quando tudo ganha nova vida com suas bençãos.
Invoque Frigga para: fertilidade, proteção, saúde, sabedoria, a paixão, a magia sexual, liberdade sexual, mágica do nó, durante o parto, para proteger sua casa, encontrar um nome para uma criança que está para nascer e para saber do passado, presente e futuro.
Sexta-feira é o dia mais propício e poderoso para a invocação de Frigga.
Os animais consagrados à esta Deusa são: o ganso, o gato, o porco, o pardal e o cavalo.
Frigga é a expressão mais moderna das Deusas Antigas. Ela está mais perto da humanidade e dos interesses humanos porque é a Deusa da Ordem Social e das Relações Sociais.
É Ela que tece a teia da sociedade e dá forma à humanidade.
O que seria do nosso mundo sem relacionamentos sociais?
Frigga chega em nossas vidas para nos dizer que uma única verdade de nada se aproxima da sabedoria.
Só alcançamos a sabedoria quando nos aproximamos de múltiplas verdades e possamos nos integrar à elas. Uma moeda tem dois lados, já a verdade é multifacetada.
Pegue sua vara de pescar e dirija-se ao mar ou a um rio. Sente-se confortavelmente, coloque a linha na água e quando os peixes começarem a surgir, imagine-os como verdades que devem ser trabalhadas. Peça a Frigga que o(a) oriente na busca das verdades que você necessita para melhorar seus relacionamentos e, boa sorte em sua pescaria!

RITUAL DE FRIGGA PARA PROTEÇÃO

Esse ritual invocará a proteção da Deusa Frigga durante todo o ano.
Para fazê-lo, deve semear em seu jardim ou em um vaso si não possuir um pátio.
As melhores sementes para esse ritual são as de Tanaceto (Tanacetum parthenium), já que essa erva simboliza a proteção e são de fácil cultivo.
No entanto, pode escolher qualquer outra planta.
Cave o solo cuidadosamente, verificando se o solo está livre de ervas daninhas.
Enterre as sementes fazendo a forma de uma runa nórdica que significa proteção.

A forma é de um "Y" maiúsculo, porém com um traço central contínuo, como mostra a figura acima, de maneira que o símbolo três pontas assinalando até o alto.
Enquanto espalha as sementes na terra diga: -
"Deusa Frigga, de igual modo que essas sementes cresceram altas e fortes, proteja-me durante todo o ano". Trate suas ervas cuidadosamente, recortando-as e arrancando qualquer que cresça fora do formato da runa. No final do outono, recolha algumas sementes, para que possa repetir o ritual no próximo ano, porém não é preciso arrancar a planta para voltar a fazer o ritual na primavera. 

RITUAL PARA ATRAIR A BOA SORTE

A Deusa Frigga, muitas vezes era representada, como uma mulher alta e elegante, que carregava um molho de chaves em seu cinturão.
Para esse ritual você precisará de uma chave antiga que não tenha fechadura.
Você comprá-la em alguma casa que venda objetos usados ou adquira uma nova em um chaveiro próximo de sua casa.
Escolha, se possível uma de metal brilhante ou de bronze, mas nunca de ferro.
Limpe-a e a deixe o mais reluzente que conseguir.
Para na entrada da sua porta principal, olhando para dentro da casa, coloque a chave em sua mão direita e estendendo-a à frente diga:

-"Deusa Frigga, coloque toda a energia da prosperidade e da boa sorte nessa chave, de maneira que sempre esteja comigo".

Agora caminhe por todas as peças da casa, sustentado a chave em sua mão e em frente a você. Toque todos os seus objetos pessoais com sua chave, como sua cama para ter sorte em seus relacionamentos, o telefone para receber sempre boas notícias de amigos, negócios ou estudos e assim, toque em tudo que signifique algo para você. Quando terminar o ritual, coloque a chave em um gancho sobre a porta principal e a mantenha sempre limpa e brilhante.

GAYATRI MANTRA


Gayatri Mantra 
O Gayatri mantra é, junto com o OM, o mantra mais conhecido e cantado na Índia. Ele representa a essência do conhecimento védico e foi percebido e depois ensinado pelo sábio Vishwamitra.
Gayatri é um dos aspectos da deusa Saraswati, esposa de Brahma e que representa o seu poder criativo ou shakti. Saraswati é mitologicamente representada como a protetora e inspiradora das artes, música, literatura e ciência. No entanto, esotericamente ela representa o potencial de expressão da mente humana.
A palavra Gayatri é composta de duas palavras:
Gaya: Florescer, abundar, energizar (vitalizar), energia vital. Trâyate: O que protege; o que concede a liberação.A estrutura do mantra é composta por três 3 linhas com 8 sílabas em cada uma, fazendo um total de 24 sílabas. Cada sílaba estimula os impulsos de criação dentro do Ser. Assim, por mais que numa análise superficial o entendimento do mantra fique de certa forma bem claro, é importante dizer que a tradução pura e simples do mantra abrange apenas a superfície de sua real significância.O nome de um metro  poético Védico  de 24 sílabas (três linhas de oito sílabas cada, é específica do Gayatri e por isso outros mantras que contém essa estrutura são chamados de gayatri também. Não é a toa que o gayatri mantra é considerado a essência dos vedas. De maneira geral, o Gayatri Mantra é cantado ou pensado da seguinte forma:

OM
BHUR BHUVAH SVAH
TAT SAVITUR VARENYAM
BHARGO DEVASYA DHEEMAH
DHIYO YO NAHA PRACHODAYAT

Uma tradução aproximada do mantra seria:"Eu Saúdo aquele Ser, possuidor da fulgência divina e que é a causa e sustentação de todos os planos da existência.Que minha mente esteja sempre fixa e absorvida Nele e que Ele possa iluminar, purificar e inspirar meu intelecto."Gayatri é uma das formas da Shakti de Brahma, de Vishnu e Shiva. Ela representa a base, o substrato de toda a existência. Ela é a "expansão" do OM ou a energia que o movimenta.Namaste! 

ORAÇÃO Á MÃE DAS FLORES



Estamos neste momento em busca da luz da fé,
do amor e da devoção!
A fé é pura energia sutil feminina e remove montanhas,
vence qualquer obstáculo, preenche qualquer carência.
A Mãe Divina em mim é o milagre da minha vida.
Ela é a Porta Sagrada do Caminho de casa.
Ela é o caminho de onde eu vim e para onde eu vou.

Aquela que reina na essência da vida.
Mãe das Flores
Senhora da Primavera,
Ela vem do céu, e
desce na ponte do arco-íris,
vestida com o manto da luz do sol,
vestida com a mais nobre cor branca,
sentada na flor de lótus.

A Bendita e Gloriosa
está coroada pelos anjos e devas
Na frente podemos ver o resplandecer da luz da lua crescente.
Ela canta para a Vida.
vibração de uma sintonia harmônica,
em uníssono,
reverbera e retorna ao centro;
ressoa na união com o tudo
com todos.
som primordial,
impulso iniciador
ressoa
OM
no macrocosmo,
no microcosmo,

Neste instante, o espírito da vida, que mora na câmara mais secreta do coração, começa a vibrar, pulsar, no êxtase do puro e verdadeiro amor.
Ela canta para nos ninar nas ondas do mar.
Podemos ouvir seu canto, no canto dos passarinhos.
Ela sorri e fala na criança.
Tu és a Grande Mãe,
podemos ouvir sua voz no sopro dos ventos.
Que teu sopro nos traga boa sorte.
e que sua Divina Presença manifeste-se em mim.

Mãe de mil nomes.
Entra em mim!
Senhora das Estrelas,
cobre-me com teu manto de luz das constelações.
Quero ser abençoada na fonte da felicidade
do teu coração, aqui e agora.
Deusa da beleza e do amor.
Tu és, a Eternamente jovem e bela
Meu olhos são teus.
Tu és a Vida Bendita, Mãe Universal.
que abençoa e ilumina os sentidos da vida.
Tu és a Mãe da Existência.

(possuída da Mãe das Flores)

Eu Sou a plenitude da mente e consciência da Mãe das Estrelas.
Minhas palavras são suas.
Meus olhos, meus ouvidos, minha pele, o sentido do olfato são seus,
Eu toda sou a Bendita Mãe da Vida.
Meu corpo é o seu templo.
Eu Sou consagrada a Divina Mãe na Eternidade.
Para sempre aqui em paz e na felicidade.

Eu juro que irei respeitar a vida, os animais, a natureza, a humanidade e tudo que há.
Eu juro que minhas mãos que são suas, irão trabalhar pela Paz, a Harmonia e a Felicidade de todos.
Eu Juro que meus pés que são seus, sempre - seguem no mundo para levar a esperança, a fé e a caridade para tudo e para todos.

Minha mãe, minha Senhora.
Eu estou aqui para servir aos propósitos da tua Vontade.
Nesta primavera que começa eu sinto germinar a semente da Mãe Natureza em meu coração.
Eu vejo as flores do campo, abrindo caminhos por onde eu vou.
Vem.
No canto dos ventos,
no barulho do mar,
no canto da sereia.
Entra em mim, me possui.
Te vejo através dos olhos das mulheres
Senhora de muito nomes.
Divina Mãe que eu amo acima de tudo.
Nesta primavera consagrada nos mistérios do vinho sagrado dançarei nos campos o nascimento das sementes.
Seja Feita a tua Vontade.
A Chama da Vitória está em minhas mãos, presente do teu amor.

Mãe das estrelas, me protege para que a Chama da esperança nunca se apague da minha existência.
Entra em mim, me possui!
Quando eu olho para as as árvores,
para os ninhos dos passarinhos,
eu vejo a luz do seu olhar nos olhos dos filhotes.

Mãe de todas as Marias!
Eu sou as tuas asas.
Eu sou os pássaros que cantam, no prenuncio da manhã que chega.
A águia virá, eu sei, para celebrar este momento.
Hoje é um dia de celebração, de alegria.
Meu coração dá a luz a esperança de um novo tempo em minha vida.

Senhora das Graças, entra em mim, me possui, viva no meu coração.
"Todos que amam as crianças, cuidam dos filhos da Mãe do Mundo.
Todos aqueles que amam a Deusa, amam a humanidade, cuidam dos filhos de todas as tribos, dos filhotes dos animais, como se fossem seus irmãos.
O vento passa por aqui e a natureza sente sua presença.
Entra em mim, me possui!

Nesta primavera que se inicia, eu decreto a minha liberdade!
Eu voarei livre dos nós das limitações e do sofrimento!
Neste momento, eu entrego minha vida, meu futuro nas mãos da Mãe da Bondade.
A mãe das canções, a mãe de todas as sementes.

Eu posso sentir seu abraço no sopro dos ventos, nas espumas das ondas do mar.
Ela é a mãe de todas as raças dos homens e mãe de todas as tribos.
Ela é a mãe do trovão, a mãe dos rios, dos oceanos, das montanhas, a mãe das árvores e de todas as coisas.
Ela é a mãe das canções e das danças.
Ela é a natureza que vive e canta dentro de mim.
Ela é a mãe dos frutos da terra, a mãe de tudo que existe.
Ela é a mãe da Humanidade.
Ela é todas as Marias.
Ela é a esposa de todos os homens.
Ela é a donzela que canta.
Ela é irmã de todos.
Ela é a mãe dos animais,
parteira da vida e da morte.
Ela é a alma de todas as coisas, a Anima Mundi.
Ela é a iluminada Sabedoria,
Ela é a Mãe de toda a Via Láctea.
Ela é a mãe da chuva, das fontes, dos mares.
A água que corre no planeta é o seu sangue.

Entra em mim, me possui
Ela é a mãe da luz, do poder que emana da vida.
Ela é a noite escura, que a consciência humana não alcança.
Ela é a Luz que olhos não podem suportar.

Ela diz:
"Eu estou com você, desde o início
"Eu sou a sua respiração, a sua vida, o fogo da sua existência"

Entra em mim, me possui
Ela é a única que temos.
Ela é a mãe Divina de todas as coisas.
Ela é tudo que tenho, que sou, que serei.
A vida é mãe.
A Mãe vive em mim.

A consciência emana da sua presença.
A chama rosa acesa o meu coração,
o fogo cósmico do coração da Grande Mãe.
O céu ilimitado do vazio
luz penetrante, suave, carinhosa.
ilumina todas as Taras.
Abençoada seja Ela, a Mãe da Pérola sagrada.

Eu beijo a Terra, e agradeço e celebro a Senhora de muitos nomes.
Diante da Mãe Celestial, eu não preciso pedir perdão, ela compreende e me aceita como eu sou.
A Mãe de todas as crianças compreende que ainda não acordei do sono profundo da ignorância e me ilumina e me guia.
No templo do silêncio,
vou amá-la e adorá-la.
No interior do círculo eterno, a dança da consciência prolonga-se de forma ininterrupta.
A Mãe virá e me cobrirá com seu manto de luz.
Estarei protegida nas suas asas e no seu colo, como uma criança beberei o leite das estrelas.
"potência expansiva do Tao no espaço do meio"
tempo da eternidade,
pura harmonia que há na beleza.
Aqui e agora, dança o êxtase que liberta a Serpente Sagrada.
Posso sentir a consciência da Unidade do seu amor, em meu coração, delicia divina.
Nosso hálito respira e sopra no centro do círculo, à medida que respiramos uníssono.
A respiração do Pai/Mãe é um só alento. Inspirando. Expirando.
No Centro.
Somos Um.
Estamos respirando como um único organismo vivo.
A cada alento... tornando-nos um círculo... a cada respiração... tornando-nos Um-a só consciência.

Tu és, a Mãe Misteriosa de todas as coisas.
Guardiã dos segredos, e de todos os mistérios.
Que um dia ó Espírito celeste, minha alma e a corpo possam se unir para que eu alcance a consciência cósmica da Unidade.
A Mãe em meu coração purifica minha alma,
Tecelã do dharma da existência.
Tu és, a fonte generosa da vida que flui no seu tear.
Tu és a parteira da minha consciência.

Entra em mim, me possui,
Dançarei com meu amado, incorporada de ti, e ele sendo o Deus,
deleite da fusão do corpo e do Espírito, do eu e meu amado.
Dançaremos no círculo do fogo sagrado em celebração à vida.
Estaremos inebriados com o perfume do êxtase e do amor.
Quando a bondade da Mãe do Divino
incorporar em meu coração,
serei livre do egoísmo do ego,
que alimenta as causas do meu sofrimento.
Quando a bondade da Mãe Divina agir dentro de mim,
serei generosa comigo e atrairei o amor, a união com tudo e com todos.
Serei generosa e atrairei abundância e a felicidade para minha vida.
Ela me dará a chave que abre todas as portas.

Entra em mim, purifica minha mente, delicia divina.
Tudo é consciência.
Que eu alcançe na tua luz este Estado de plenitude da tua existência.
Assim, meu pensamento e inteligência tornam-se Divinos na tua incorporação e guarda.
Tudo é divino, quando a Senhora está presente na consciência.

Ela é aquela que tece a minha felicidade em meu coração com a compaixão.
Ela é quem me indica o caminho do belo.
Ela é a porta aberta aos reinos sagrados do mistério e da magia.
Ela é a Deusa que tem muitas faces e muitos nomes e é reverenciada em todos os povos.
Alma de todas as almas emana em mim a atividade da união e do compartilhar.
Mãe Divina de muitos nomes, de todos os povos, de todas as religiões!

Entra em mim, me possui, me incorpora.
Manifesta em mim a natureza da essência amorosa da vida.
Prepara-me na arte das artes.
Tu és, a Imperatriz da Terra.
Senhora dos mistérios da natureza, da magia e do amor.

Entra em mim! Me possui, me incorpora
Ela inala o perfume da rosa - conhece o mistério da procriação e da fecundidade e do amor.
Ela representa a vida comunitária em união com tudo e com todos, com a Terra generosa.
Entra em mim.
Manifesta em mim, tua a essência do seu perfume.
Quero embriagar o meu amado com o perfume da Rosa de Ouro e o dengo das iniciadas.

O arco-íris brilha para todos.
Nossa Mãe canta no céu,
abençoa a sua Grande Família.
Em tuas mãos a Deusa Grega Deméter segura a serpente da regeneração e os feixes de trigo que simbolizam a fartura.
Divina Sabedoria que revela!
Eu quero ver como meus ancestrais no espelho sagrado e nele contemplavam as águas, o vento, o céu e a terra, as montanhas e prados, árvores e animais, e todo um universo de entes animados e inanimados.

Eu sou um Espelho da consciência divina da Mãe da vida.
Com a sua graça terei acesso ao espelho da consciência da Unidade.
Eu Sou a Paz eterna.
Estou conectada com a Rainha do Céu e da terra, e conhecerei os mistérios iniciatórios centrais cujo objetivo principal era o "Conhece-te a ti mesmo."
Divina Mãe, ilumina-me com consciência da bondade, que não conhece o orgulho, o ódio, ambição, a cegueira da ignorância.
Eu quero receber a sua luz, no altar da iniciação e assim poder ver além das estrelas.
Pai e a mãe de tudo. Bondade Universal!
Tu habitas na grande bem-aventurança secreta além do pensamento.
A luz generosa da Mãe irradia aqui e agora em nosso coração,
Possam todos despertar para a Grande Perfeição.
Tu me levas ao êxtase, no Grande Círculo;
a união mágica do meu eu individual com a totalidade cósmica.
Somos uma só consciência.
Quero viver o significado interior de ser filha da vida.
A vida é mãe.
É maravilhoso saber que sou filha da vida e da Terra
e que o Céu é meu Pai.
Estou viva! Sou a manifestação da Consciência Divina do aqui e agora.
Eu Sou a eternidade! Memória e registro da existência.
O coração é a riqueza da vida.
Sinto no meu coração a união com o Um.
o coração bate no ritmo da vida do universo.
ligado na rede da vida,
Ela é generosa, filha e mãe da bondade.
Sinto a energia da vida (Shakti-Shiva) fluir em meu coração.
Ele é feliz como uma criança, ela também, eu também
Este segundo é eternidade.
Poder infinito do movimento do Tao.
Seja feita a Vontade da Mãe Divina.

Texto do livro O Anuário da Grande Mãe. Guia Prático de rituais para celebrar a Deusa 
 de Mirela Faur.
(Invocação à Grande Mãe de muito nomes conhecida como Gaia, Sphia, Shakti, Durga, Kali, Demeter, Hera, Athena, Afrodite, Isis, Persefone, Sara kali, Dike, Erda, Artemis, Amaraterasu, Baba Yaga, Brighid, Astarte, Moiras, Inana, Maria, Yemanjá, Tara, Sita...)

A HISTÓRIA DOS SIGNOS


Flechas que trazem amor ao coração, deuses alados, irmãos que enamoram-se entre si, uma criança que mata uma serpente, entre outros, são histórias da mitologia greco-romana que trazem-nos à tona para um fantástico mundo cheio de ideias e imaginação. Já vimos que a mitologia grega tem uma grande influência em nosso idioma, e vamos ver agora que, todos estes signos, que insistem em explicar-nos através das estrelas como será nosso dia, tem sua própria estória. Isto explica o porquê do símbolo de Sargitário ser um centauro, ou até mesmo o que um escorpião estaria fazendo no céu.
Então vamos lá:

Áries

A história de Áries é encantadora! Tudo começa por causa de um casamento mal-sucedido.
O rei Atamante era casado com a deusa Nefele, e com ela gerou dois filhos: Hele e Frixo. Mais tarde, por motivos que desafiam a razão, Atamante separou-se da deusa(porque alguém iria separar-se de uma deusa?) e uniu-se a Ino.
A mortal Ino, enciumada do amor que Atamante tinha por seus filhos, foi consultar o Oráculo para procurar uma maneira de livrar-se das crianças. O Oráculo dissera para Ino fazer um sacrifício de Hele e Frixo à Nefele, a mãe deles. Esta deusa, assitindo a todos os acontecimentos, chamou secretamente as crianças e disse-lhes que esperassem cair do céu, no dia do sacrifício, um carneiro de ouro. A única exigência de Nefele era que as crianças não olhassem para baixo, caso contrário morreriam apavoradas.
Dito e feito, o carneiro chegara. Em seu voo, Hele olhou para baixo, e imersa em pavor caiu ao mar, que ficou chamado de Helesponto (hoje chama-se Dardanelos). Frixo chegou salvo à Cólquida, e sacrificou o carneiro à Zeus que, maravilhado com o presente, colocou-o entre as estrelas.

Touro

Esta história retrata-se a um mito em que Zeus teria transformado-se em um touro branco de grande esplendor e beleza para seduzir Europa, filha de Agenor (se você está se perguntando porque ele teve de se transformar em touro para seduzí-la saiba que eu não sei a resposta). Europa reparou que não era de fato um touro, pois este não tinha cauda, então entregou-se à ele. Orgulhoso do feito, colocou o touro entre as constelações. Mais tarde, sendo perseguidas pelo gigante Órion (filho de Poseidon), sete irmãs procuraram ajuda em Zeus, que colocou-as nas constelações também. Estas chamadas plêiades, são a cauda do touro.

Gêmeos

Em uma das minhas favoritas estórias da mitologia estão Castor e Pólux. Irmão gêmeos filhos de Zeus e Leda que nasceram de um ovo, já que Zeus havia seduzido Leda na forma de um cisne. Estes irmãos apaixonaram-se por outras duas viajantes de estrada, chamadas Febe e Ilaira. Porém estas já eram noivas, decidindo então sequestrá-las irritaram seus noivos Idas e Linceu. Um fato importante é que Pólux era imortal, e Castor era um simples mortal mas os dois tinham enorme cuidado um para com o outro. Sendo ferido mortalmente pela lança de Idas, Pólux pede a Zeus que transfira sua imortalidade a seu irmão. Sem entender muito, Zeus atende ao pedido, contudo, no momento em que Castor passa a reviver, Pólux passa a morrer. Então Castor pede à Zeus devolver a imortalidade a Castor. Depois o feito acontecia novamente e, vendo que os irmãos queriam mesmo era ficar juntos, transformou-os na constelação de Gêmeos, onde para sempre ficariam juntos.

Câncer

Uma constelação de enredo muito simples. Quem conhece a história dos Doze Trabalhos de Hércules sabe que seu segundo trabalho fora matar uma Hidra que assolava a região de Lerna. Contudo, esta hidra tinha sete cabeças, e sempre que se cortava uma, duas nasciam no local. Com a ajuda de seu amigo Iolaus, Héracles consegui livrar-se da Hidra. Pois, sempre que cortava uma cabeça, Iolaus cauterizava o local impedindo o nascimento das cabeças. A deusa Hera, esposa de Zeus, tinha ódio imenso por Héracles já que era fruto de um relacionamento adúltero de seu marido. Então mandou um enorme caranguejo impedir o feito. Mas Héracles pisoteou o caranguejo tão fortemente que deixou-o em estilhaços. Iolaus ateou fogo à Hidra e Héracles concluira seu segundo trabalho. Hera, cheia de dó do pobre caranguejo, recolheu-o e o colocou entre as estrelas na constelação chamada Câncer, já que esta palavra significa "caranguejo" em grego.

Leão

Outra estória de fácil compreensão: Héracles teria de matar um Leão invulnerável à armas que assombrava terrivelmente à região de Neméia. Deu no Leão um golpe desferido por sua clava que o deixou tonto apenas. Aproveitando-se da ocasião, Héracles enforcou-o até a morte e, Zeus orgulhoso do feito de seu filho, colocou o Leão entre as estrelas para que tivesse orgulho de Héracles sempre que olhasse às estrelas.

Virgem e Libra

A historia de Astréia ilustra a origem desse signo. A virgem Astréia, filha de Zeus e Têmis, a deusa da justiça, costumava passear pela Terra ao lado de sua irmã Modéstia. Porém, certo dia, ao ver um homem pesando a mais a mercadoria de um freguês, Astréia fica indignada com tal injustiça e também com tanta guerra e violência que começou a se instaurar no mundo e pede a Zeus que as leve embora da Terra. Triste com tal decisão, Zeus coloca-a na constelação de virgem. Seu símbolo, a balança, é colocado na constelação de libra.
Escorpião

Esta é a minha constelação favorita, sua história me fascina. É um mito que está diretamente ligado a história do gigante Órion. Apesar da promessa de ser eternamente virgem e desprezar os homens, a deusa da noite e da lua Ártemis, certa vez se apaixonou por Órion, que era fiho do deus do mar Poseidon, e por isso ele tinha o dom de andar na supefície da água ou embaixo dela. Apolo, irmão gêmeo de Ártemis, enciumado, impediu o amor entre os dois mediante uma grande perfídia: achando-se em uma praia, na companhia da irmã, desafiou-a a atingir, com a sua flecha, um ponto negro na água, e que mal se distinguia, devido à grande distância. Ártemis, toda vaidosa, prontamente retesou o arco e atingiu o alvo, que logo desapareceu no abismo do mar, fazendo-se substituir por espumas ensangüentadas. Era Orion, que ali nadava submergido, fugindo de um imenso escorpião criado por Apolo para persegui-lo. Ao saber do desastre, Ártemis, cheia de desespero, conseguiu de seu pai, Zeus, que o escorpião fosse transformado em constelação. Em outros mitos é mais aceito o fato de que Órion brincava com o escorpião.

Sagitário

Durante seu quarto trabalho, Hércules visita um centauro amigo seu, chamado Folos. O centauro, uma criatura metade homem, metade cavalo, convida o herói a comer em sua caverna. Hércules percebe que o amigo não o oferecera vinho para beber e ao dizer sua constatação ao amigo, ele lhe diz que normalmente não faria tal agrado, pois o vinho dos centauros é inigualável e que seus irmãos ficariam furiosos com um humano bebendo deles. Porém, o bruto Hércules pega o vinho e o bebe. Vários centauros chegam e ficam furiosos com a presença de Hércules em sua cova e o fato dele estar bebendo o vinho, e se armam contra o intruso. Quíron é o único que vem em defesa do herói, porém de nada adianta. A batalha começa, os centauros jogando pedras e Hércules lançando suas flechas do alto, embebidas no veneno da Hidra de Lerna. Depois de um tempo, os centauros fogem, deixando a mostra a terrível situação: dentre todos os mortos, Quíron também havia sido ferido. Mesmo sendo imortal e com todos os seus conhecimentos medicinais, a dor não ameniza e o centauro pede a Zeus que tire sua imortalidade para poder morrer em paz. Zeus atende ao pedido mas, ao invés de deixar seu corpo ser levado pro Hades, ele o coloca nas estrelas, na constelação de sagitário.

Capricórnio

O deus da natureza, Pã, um ser metade homem, metade bode, estava, ao entardecer, tocando sua flauta às margens de um rio, quando surgiu o terrível monstro Tífon, que possuía centenas de braços e cabeças. Assustado, mergulhou no rio, pois Tífon odiava água, e transformou a parte submersa de seu corpo em peixe para se locomover, enquanto a outra metade continuou assemelhada ao corpo de uma cabra. Zeus considerou uma estratégia muito esperta e, como homenagem, transformou Pã na constelação de Capricórnio.

Aquário

Ganimedes era um jovem de extrema beleza, filho dos reis de Tróia. Um dia quando pastoreava o rebanho de seu pai, Zeus o avistou e se apaixonou por ele, se transformou em águia, o raptou e o levou até o monte Olimpo para servir-lhe como copeiro e aguadeiro, o "garçom" dos deuses, substituindo a jovem Hebe que teve esta missão, porém um dia caiu e derramou a bebida sagrada dos deuses, e foi mandada embora. Zeus botou o seu amado nas estrelas, afinal, é Ganimedes quem simboliza o signo de Aquário com uma jarra derramando água, o fiel servidor dos deuses.

Peixes

Afrodite, deusa do amor, e seu filho Eros (o Cupido) teriam se transformado em peixes para escapar do titã Tifon, que não suportava a água. Atena, deusa grega da sabedoria, criou a constelação para lembrar a fuga.
As belas ilustrações do post são do artista japonês Kagaya Yutaka

A TRADIÇÃO DA DEUSA

A tradição da Deusa




Durante os últimos três milênios, as principais religiões do mundo cultuaram o Princípio Divino Masculino. Apesar das diferenças entre os conceitos, dogmas e práticas do judaísmo, islamismo e cristianismo, a Divindade Suprema é personificada por arquétipos masculinos, os mitos e a estrutura sendo enfaticamente patriarcais. Mesmo que existam figuras femininas honradas e celebradas, elas não são consideradas forças primordiais e criadoras, seus papéis e atribuições sendo secundários.
Apesar de, no momento, essas religiões prevalecerem no cenário mundial, a origem delas é relativamente recente. Há provas irrefutáveis de um antiquíssimo culto a uma Divindade Criadora chamada genericamente de “A Grande Mãe”, como comprovam milhares de estatuetas de figuras femininas datadas dos períodos paleolítico e neolítico (50.000 a 30.000 anos atrás).
Antes consideradas meras “vênus pré-históricas”, esses objetos de culto em pedra, argila, osso ou mármore são vistos atualmente como representações da Deusa Mãe, conforme comprovam os estudos, livros e pesquisas de cientistas mulheres (antropólogas, arqueólogas, sociólogas, historiadoras, escritoras).
A Grande Mãe representa a totalidade da criação e a dualidade vida/morte, pois sua essência é imanente e permanente em todos os seres e em todo o Universo. Seus múltiplos aspectos e manifestações representam e reproduzem o ciclo de nascimento, crescimento, florescimento, decadência, morte e renascimento da eterna dança espiral das vidas.
A Deusa Mãe foi a suprema divindade do planeta durante pelo menos trinta milênios, reverenciada por seu poder de gerar, criar, nutrir, proteger e sustentar todos os seres. Conhecida sob inúmeros nomes e representações de acordo com a cultura e a época, a Deusa era a própria Mãe Terra, a energia da vida e morte do planeta, venerada no ciclo das estações, nos fenômenos da Natureza, na riqueza e na beleza da terra, do céu, das estrelas, das montanhas, das águas, das plantas e dos animais.
Com o advento das idades de bronze e do ferro, as pacíficas civilizações matrifocais da Deusa entraram em declínio. Invasões sucessivas de tribos guerreiras e nômades trouxeram uma onda de violência e destruição. Uma nova civilização baseada em modelos de dominação e autoritarismo foi imposta, iniciando-se a perseguição da antiga religião da Deusa e de suas representantes – as mulheres. Os invasores trouxeram um panteão de deuses guerreiros, donos das tempestades, dos raios e das batalhas. O sexo da criadora foi mudado – a Mãe tornou-se Pai e a Deusa, transformada em consorte, filha, amante - depois finalmente ignorada e esquecida.
Seguiu-se a Idade da Razão e, com o surgimento do racionalismo e das correntes materialistas e dialéticas, a supremacia do espírito sobre a matéria passou a ser negada. Somente no século XIX o movimento romântico trouxe de volta valores femininos - no entanto, de uma forma idílica, idealizando somente as virtudes e a fragilidade da mulher. Infelizmente, o monoteísmo judaico-cristão, que proclamou um só criador – o Pai - e considerou a mulher a origem do pecado e de todos os males, suprimiu os símbolos do poder divino da Deusa, como sendo maléficos ou pecaminosos. Mesmo assim, as imagens, os atributos e nomes sagrados das tradições da Deusa (principalmente de Inanna, Cibele, Deméter e Isis) foram absorvidos e adaptados no culto de Maria. Com a extinção definitiva dos cultos da Deusa nos países cristianizados e a conseqüente perseguição e difamação dos valores sagrados femininos, somente fragmentos das antigas celebrações, tradições, práticas e conhecimentos velados permaneceram disfarçados nas crenças populares, nos costumes folclóricos, nos contos de fadas, nas terapias xamânicas.
No entanto, observa-se atualmente, no mundo todo, o ressurgimento dos valores e da busca do Sagrado Feminino, como uma necessidade de cura profunda da psique individual e coletiva fragmentada pela dicotomia da racionalidade. O movimento feminista encontrou nos arquétipos das Deusas modelos positivos de fortalecimento e auto-transfomação. A emergência da Deusa na consciência ocidental trouxe uma nova/antiga visão da Terra, favorecendo o surgimento da hipótese Gaia (da interdependência de todas as formas de vida no planeta ), das preocupações ecológicas, das terapias xamânicas, da renovação nas religiões fundamentalistas e tradicionais como o cristianismo e o judaísmo. Religiosos católicos como Matthew Fox estão aceitando uma nova visão de Deus como Mãe, a freira Meinrad Craighhead está pintando imagens de deusas vistas emsonhos e visões, as mulheres judias voltam a reverenciar Shekinah, a representação hebraica da divindade feminina.
Os movimentos neo-pagãos, como as várias vertentes da Wicca, as tradições xamânicas de várias origens, algumas Escolas de Mistérios e uma multiplicidade de seitas e organizações estão adotando a teologia dualista, reverenciando ambos os princípios - o Deus e a Deusa - e acrescentando uma fusão de antigas crenças folclóricas européias ou nativas, reminiscências dos antigos festivais agrários, arquétipos mitológicos e práticas mágicas e curativas, tradicionais ou recentes. Nesta amalgamação de crenças sobressaem-se o reconhecimento e a reverência à Deusa, com adaptações regionais ou pessoais.
Há também uma crescente divulgação da espiritualidade feminina na literatura, arte, música e terapia. O eco-feminismo ou o ativismo político e ecológico, o empenho para a transformação interior e a conseqüente necessidade da renovação individual e global são sinais evidentes e benéficos do retorno da Deusa. Sua volta não significa retomar as antigas práticas e crenças religiosas, mas revalidar o Sagrado Feminino, criar uma nova cosmologia centrada na Terra, curar as cisões individuais e coletivas, promover uma nova ética baseada em valores espirituais e a reverência pela vida, buscar soluções pacíficas para a nossa sobrevivência e convivência, realizando assim, em nós e ao nosso redor, o Casamento Sagrado: da luz e da sombra, do espírito com a matéria, do animus com a anima, do Céu com a Terra.