QUERO TER SEMPRE ASAS SOLTAS. QUERO ENCONTRAR MEU ACONCHEGO. AGORA ALIMENTO MEU SER COM PLENITUDE,POIS ENCONTREI UMA RAZÃO PARA VOLTAR E ESSA RAZÃO É A VIDA...
quinta-feira, 16 de abril de 2015
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
PANTEISMO PRIMITIVO
Deuses e Deusas - Panteísmo primitivo dos romanos Os deuses e deusas da “aldeia” primitiva de Roma originaram-se como os deuses sem rosto e divindades sem forma que sustentavam os agricultores nos seus esforços com a terra. O grande número de deuses e deusas romanos pode ser explicado mais provavelmente pela crença panteísta de “numen”, a qual afirma que os deuses e espíritos habitam lugares, objetos e seres vivos. Os antigos romanos acreditavam que tudo na natureza era habitado por Numina. Embora os romanos primitivos tenham dado pouca importância à personalidade de seus deuses e deusas, eles se preocupavam com suas funções. Os romanos integravam o seu culto de divindades mitológicas em todos os aspectos de suas vidas pessoais e públicas. Nada melhor exibe a extensão deste culto na vida diária como no culto doméstico da Familiaris DII. Neste sistema, cada família tinha um espírito guardião conhecido como o Lar Familiar, ou Lar Doméstico. Este espírito era homenageado em todas as funções familiares, incluindo sacrifícios em funerais. A força criadora que gera um indivíduo e permite que ele ou ela crescesse, aprendesse e agisse moralmente era conhecido como o Genius para os homens e Luna para as mulheres. Este espírito ficava com a pessoa até a morte. O culto dos deuses e deusas romanos em Dii Familiaris ia tão longe como atribuir um espírito protetor para diferentes áreas da casa. Por exemplo, Forculus protege a porta, Limentinus protege a entrada, Cardea as dobradiças e Vesta a lareira. Deuses e Deusas - Expansão da Mitologia Romana Os deuses e deusas de Roma começaram a tomar as formas que reconhecemos hoje durante a dinastia dos reis etruscos que governaram no século 6 AC. Durante este período, os romanos adaptaram um grupo de três deuses etruscos como o foco da adoração do Estado. Esses deuses eram adorados no grande templo do Capitólio e, como tal, tornaram-se conhecidos como a “tríade capitolina”. A tríade era constituída por Júpiter (Zeus), Juno (Hera) e Minerva (Atena). Quando o reinado da dinastia etrusca terminou em 509 AC, Roma se tornou uma república. A República Romana foi governada por dois magistrados, cada um dos quais era eleito para um mandato de um ano. Durante este período, o templo do Capitólio se tornou o foco da adoração pública. À medida que o poder de Roma cresceu e sua esfera de influência se alargou, o Império Romano encontrou a mais velha e rica tradição da mitologia grega. Os romanos também entraram em contato com as crenças de outras culturas orientais do Mar Mediterrâneo. Como resultado, os romanos começaram a adotar vários deuses estrangeiros e costumes religiosos. Em muitos casos, os deuses e heróis de culturas estrangeiras tiveram templos em Roma. A aceitação dos deuses e deusas gregos tiveram a maior influência na mitologia romana. As primeiras divindades gregas adotadas pelos romanos foram Castor e Polideuces em 484 AC. Posteriormente, no século 5 AC, o deus grego Apolo foi introduzido. Apolo passaria a simbolizar a força e austeridade romana. Outros deuses romanos que assumiram características gregas eram Diana (Ártemis), Mercúrio (Hermes), Netuno (Poseidon), Vênus (Afrodite) e Vulcano (Hefesto). Deuses e Deusas - Os Efeitos Duradouros Os deuses e deusas da mitologia antiga não são mais adorados por nenhuma religião formal dos tempos modernos. No entanto, o legado dos egípcios, gregos e romanos continua por todo o mundo. Em particular, as artes têm sido fortemente influenciadas pela mitologia. Muitas obras de arte bem conhecidas na pintura, música, literatura e teatro usam temas da mitologia. Hoje em dia, a influência de antigos deuses e deusas não mostra nenhum sinal de diminuição. Os jogos de computador frequentemente utilizam as histórias dos antigos deuses e deusas como o contexto para os seus jogos de busca. Filmes e programas de TV que se utilizam de personagens ou temas da mitologia ainda são populares. Parece que os temas morais e intelectuais das histórias por trás dos antigos deuses e deusas têm se mostrado facilmente adaptáveis a muitas culturas ao longo dos séculos. Isso só mostra a necessidade inerente da humanidade de explorar as suas origens, propósito e moralidade -- mostra a necessidade da humanidade de explicar por que estamos aqui e para onde estamos indo... |
DESPERTAR DO FEMINIMO
1- O Re-despertar do Feminino: uma nova lucidez
Ao se abordar o tema das Deusas, considero fundamental um comentário prévio sobre o resgate do feminino, como uma base que nos dará sustentação na compreensão da importância em se trabalhar com os arquétipos das deusas.
“...a civilização ocidental acabou sendo unilateralmente ofuscada pelo arquétipo do Pai, à exclusão do arquétipo da Mãe. Em nossa reverência exclusiva ao princípio paterno, em que suprimimos ou menosprezamos o feminino, acabamos provocando graves danos à saúde psíquica individual e coletiva. Isso sem mencionar a saúde física de nosso corpo e a do próprio planeta Terra”.
“Mas há sinais indicando que, espontânea e conscientemente, o pêndulo começa efetivamente a oscilar. A supremacia patriarcal vai manifestando sintomas de falência espiritual, e em toda parte – nas artes, na literatura, na política, nas igrejas- há sinais de um enorme ressurgimento do feminino (...) Um auspicioso “retorno da Deusa” está certamente ocorrendo”. (Woolger, p. 21)
Há mais de 20.000 anos atrás, predominavam as comunidades chamadas matriarcais, onde as pessoas tinham um profundo contato com a natureza, os grupos eram regidos pela cooperação, havia o culto a Deusa-Mãe, reverenciando-se o feminino como algo sagrado.
Com o advento da civilização e a chegada do sistema patriarcal, este estilo de vida começa a ser represado, destituído de seu valor, ocorre uma supervalorização do intelecto e do pensamento lógico-racional em detrimento do corpo, dos instintos e das emoções. Instauram-se as guerras, a propriedade privada, inclusive do “homem sobre a mulher”, a evolução da tecnologia, o aumento exacerbado da competitividade, do autoritarismo.
Este é o sistema em que ainda estamos inseridos hoje em dia. No entanto, grandes transformações começam a acontecer, tanto a nível social, quanto a nível pessoal.
No âmbito macro, observamos o crescimento dos movimentos ecológicos de cuidado com a Terra, os movimentos feministas e as reflexões sobre gênero e sexualidade, movimentos de economia solidária, organizações em rede... enfim, uma “efervescência” de novos movimentos, que aponta para uma transformação a nível consciencial.
No âmbito micro e pessoal, observa-se um redespertar do Princípio Feminino. E aqui é importante lembrar que o principio feminino não é exclusividade das mulheres....
2- Princípio Feminino e Princípio Masculino
Como conceitos próximos, podemos citar o Yin e Yang presente na cultura oriental e Animu e Animas, presente na teoria desenvolvida por Carl Jung.
Feminino e Masculino aqui, não se definem como categoria- gênero, mas como princípios vivos presentes na natureza, no homem e na mulher. Dinâmicas interdependentes, que se inter-relacionam e formam uma Unidade.
“Esse feminino representa o princípio de vida, de criatividade, de receptividade, de enternecimento, de interioridade e de espiritualidade no homem e na mulher”.(BOFF, Leonardo).
Feminino como princípio que rege a receptividade, a sensibilidade, a intuição, a emoção, o ser.
Masculino como princípio regente da ação, do vigor, da objetividade, do fazer, da razão.
Ora, precisamos dos dois! Como uma dança em que ambos interagem, se interpenetram...
No entanto, observamos hoje uma preponderância do princípio masculino, inclusive em nós mulheres, que para conseguirmos conquistar nosso espaço, muitas vezes, abrimos mão do principio feminino em nossas vidas.
Como buscamos a Integração, se faz necessário o resgate do feminino como o equilíbrio da balança, “a outra face complementar” que contribui para sermos seres mais inteiros.
Assim, falar sobre as Deusas é resgatar em nós, referências deste princípio que, por tanto tempo, ficou tão perdido dentro de cada mulher.
3- POR QUE DEUSAS?
“ O panteão das deusas gregas reflete a diversidade e a complexidade das mulheres. Elas nos mostram uma nova maneira de ver a nós mesmas, de uma perspectiva inteiramente feminina. Como mulheres precisamos dessa associação com esses arquétipos grandes, poderosos. À medida que despertamos e buscamos a totalidade, as deusas voltam para nos ajudar na nossa trajetória." (Mary Elisabeth Marlow, em A mulher emergente).
Jennifer e Roger Woogler (1993), em seu livro a Deusa Interior, descrevem psicologicamente a Deusa como um tipo complexo de personalidade feminina, que intuitivamente reconhecemos em nós, nas mulheres à nossa volta e também em imagens e ícones presentes nas novelas, nos contos de fadas, nas histórias, no cinema, etc.
O fato é que, ao estudar as deusas, percebemos como suas imagens estão vivas em nós, nos auxiliando a nos re-conhecermos, a reconhecermos em amigas, mães; a "rir” de nós mesmas, a percebermos nossos dramas pessoais e, talvez, o mais importante, a refazermos nossas escolhas existenciais, experimentarmos novos caminhos e novas possibilidades presentes em nós.
Cada deusa tem a sua história, as suas “sombras” e as suas potencialidades. Vamos “visitar” cada uma delas, conhecer suas peculiaridades, perceber a força que traz em si, desvendar seus mitos....
E por falar em mitos....
4- Chegando ao mundo dos mitos...
“Essas coisas não aconteceram nunca, mas existiram sempre”
Mitos são “pontes” que nos re-ligam a outras paisagens
Mitos são histórias, redações, informações que se repetem desde os mais remotos tempos, em todas as épocas e todas as culturas, e se referem a temas que sempre inquietaram a humanidade. Utilizam-se imagens arquetípicas como forma de compreendermos melhor a nós mesmos e ao Universo.
Mitos são pontes de acesso ao inconsciente coletivo, eles “espelham” nossos dramas e ao mesmo tempo, oferecem “pistas”, lições a serem aprendidas.
Os mitos são as chaves para um acesso às nossas mais verdadeiras e profundas forças, são nossos guias para o verdadeiro conhecimento do nosso caminho espiritual e nos permitem chegar ao êxtase, à iluminação, à bem aventurança.
Os mitos são as bases onde foram construídas religiões e civilizações, por toda a história sustentaram o ser humano na busca por explicações aos profundos mistérios e perguntas interiores.
Em síntese, mitos: São representações simbólicas do nosso universo, Tocam o inconsciente , Incorporam verdades universais: aquilo que é comum a todos os seres humanos.
Assim, a mitologia grega é uma das mais estudadas, tendo uma vasta quantidade de fonte de pesquisas; é a base do pensamento ocidental e é inegável sua importância histórica e a tamanha influência em nossa cultura.
De qualquer forma, a mitologia é atemporal e eterna. Ao visitarmos outras culturas - oriental, indígena, africana, etc -também encontramos histórias de deuses e deusas muito semelhantes com a mitologia grega, confirmando o que Jung vem chamar de inconsciente coletivo, aquele lugar comum em que nos encontramos como SER HUMANO, não importa em que tempo ou local.
Podemos dizer que a mitologia é uma linguagem essencialmente feminina (no sentido de principio), visto que é metafórica, nos leva para além do pensamento linear, é poética.
5- Enfim, as DEUSAS!
Belas, Poderosas, Vitais, lá vêem elas.
...e quando chegam... transformam nossas vidas.
A executiva, focada na carreira, no mundo urbano.
A mãe e seu instinto protetor com tudo que é pequeno e pueril.
A arqueira, focada, aventureira e admiradora da natureza.
A esposa, aquela que cuida da tradição, do casamento...
A sensível, intuitiva, ligada a questões espirituais.
A sensualidade regada ao afeto, a beleza, a prosperidade...
Cada uma com seus atributos únicos vêm nos auxiliar a descobrir a força dos nossos instintos, a potência interior, as habilidades e possibilidades de Ser.
Segue uma breve apresentação de cada Deusa. Posteriormente, vamos detalhando cada uma delas:
1)Hera
Imperatriz
Esposa
Poder no mundo
Tradição
Casamento
Companheirismo
Moralidade
Matriarca
2) Afrodite
Sexualidade
Corpo é sagrado
Romance
Beleza
Paixão
Artes
Salões
3)Atena
Civilização: Educação cidade cultura
Carreira e profissão
Competidora
intelectual
Lógica do mundo paternal
4)Deméter
Mãe
Corpo receptáculo
Ciclos
Menstruação
Gravidez
Geração
Mãe terra
Amamentação e acalento Alimentação
Fertilidade
Cuidado e proteção
5)Ártemis
Natureza
Amazona
Arqueira/Conquistadora
Independência
Liberdade
Aventuras
6)Perséfone
Poder psiquico
Cura
Guia interior
Morte e transformação
Visões/ sonhos
Clarividência
Mediunidade
O oculto
Cada deusa olhada sob um foco individualizado traz em si características muito interessantes. No entanto, se nos deixamos enredar ou aprisionar por apenas uma ou duas imagens das deusas, nos perdemos de nossa inteireza...
Todas são partes de uma única Totalidade e a nossa busca por ser uma mulher Inteira é poder descobrir e usufruir de cada uma delas em nós.
“elas são uma bênção, elas podem ser armadilhas, elas libertam, elas podem aprisionar,,,,”
RAPTO DE EUROPA
O RAPTO DE EUROPA
Há muito tempo atrás, havia no reino de Tiro um rei, Agenor, cuja filha era muito bela. O nome dela era Europa, e Júpiter apaixonou-se perdidamente por sua beleza.
— Que linda mulher! — exclamava o deus dos deuses, cuidando, no entanto, para não ser ouvido por Juno, sua ciumenta esposa. — Tenho de possuí-la, a qualquer preço. Movido por essa determinação, Júpiter decidiu utilizar-se de seu estratagema principal, ou seja, o de se metamorfosear em algum ser ou coisa.
Por alguma razão, Júpiter jamais aparecia diante das suas eleitas na sua forma pessoal, preferindo assumir sempre uma outra aparência qualquer. Assim, depois de muito pensar, decidiu transformar-se num grande touro, branco como a neve.
Completada a transformação, Júpiter desceu à Terra envolto numa grande nuvem.
Em uma das praias do rei de Tiro e pai de Europa, um rebanho dócil de touros pastava num relvado próximo ao mar. Sem que ninguém percebesse, uma grande nuvem foi se aproximando, até que dela desceu o grande touro, indo colocar-se em meio aos demais. Os seus novos colegas de rebanho, a princípio assustados com aquela súbita aparição, abriram um espaço assim que ele pousou sobre a grama. No entanto, como o alvo touro se mostrasse manso e dócil, teve logo sua presença admitida, sem maiores contestações.
Ali esteve misturado aos demais, contrastando em relação ao pêlo escuro dos outros touros, até que de repente a bela Europa surgiu com suas amigas, rindo e cantando por entre as areias da praia. As suas companheiras eram belas, também, mas, assim como Júpiter destacava-se em seu rebanho, a filha de Agenor destacava-se em meio ao seu encantador e animado grupo. Era uma manhã luminosa, o sol brilhava sem ferir os olhos, e o céu tinha um tom manso e azulado como os olhos do touro, que observavam, atentos, a aproximação de sua amada. — Vejam só que belo rebanho! — exclamou Europa, ao ver os boa ajuntados.
— Mas o que será aquela mancha branca em meio a eles? A jovem, destacando-se do grupo, avançou correndo, levantando a barra da sua túnica rendada, que lhe descia até um pouco abaixo dos joelhos. Quando chegou perto de Júpiter, seus seios arfavam sob a fina gaze de suas vestes. Os grandes olhos azuis do touro branco pousaram sobre a face corada de Europa, de tal modo que a moça não pôde deixar de observar o seu intenso brilho. — Um touro branco! — disse a moça, encantada. — E que lindos olhos ele tem! Todas as amigas ajuntaram-se em torno ao animal, que, no entanto, tinha seus grandes olhos azuis postos somente sobre a bela filha do rei. A moça, postando-se ao lado dele, começou a alisar o pêlo sedoso de seu dorso branco, enquanto admirava os seus pequenos e delicados cornos, que tinham o brilho cristalino das melhores pérolas. Embora o aspecto do animal fosse suave, a sua musculatura era rija, o que Europa pôde comprovar ao alisar o seu pescoço. Alguns espasmos musculares percorriam o pêlo do touro a cada vez que Europa o acariciava. De vez em quando o animal inclinava a cabeça, fazendo-a deslizar discretamente pelo flanco de Europa, erguendo com suavidade a fímbria de suas vestes. A filha de Agenor, contudo, permitia tais liberdades por julgá- las apenas um brinquedo inocente do magnífico animal. Retirando-o do grupo, Europa levou-o para passear nas areias da praia, dando-lhe com as mãos algumas flores, que o touro comeu alegremente. Depois, ele pôs-se a correr ao redor da moça, enquanto as outras o perseguiam, fazendo-lhe festas e agrados.
Como o sol começasse a se tornar quente demais — pois era o auge do verão -, as moças, cansadas momentaneamente da brincadeira, despiram-se para dar um breve mergulho no mar. Europa, entretanto, preferiu ficar na areia, a brincar com seu touro branco. Assim, enquanto suas amigas banhavam-se, Europa colhia outras flores, compondo com elas uma bela grinalda que depositou em seguida sobre os chifres do animal.
Depois, montada sobre as suas costas, foi conduzida por ele num trote manso. Enquanto o animal a levava, emitia um pequeno mugido, em sinal de orgulho e satisfação. As amigas de Europa, entretanto, ao verem a nova diversão que a filha do rei inventara, saíram todas correndo do mar, num passo rápido que fazia balançar seus pequenos seios molhados. Júpiter, porém, ao vê-las avançarem para si, temeu que fossem desalojar Europa das suas costas. Realmente, logo uma delas tocou a cabeça do touro, com a mão coberta de sal: — Vamos, Europa, deixe-nos andar um pouco! — disse a moça, impaciente. Júpiter, porém, aproveitando a relutância que Europa manifestava em descer. lançou-se para a frente, num salto ágil, tomando o rumo do mar. — Ei, esperem, aonde vão?... — exclamou uma das amigas de Europa, com as mãos pousadas na cintura. Júpiter, surdo aos gritos, arremeteu em meio às mulheres que avançavam pela água, obrigando-as a se afastarem, assustadas, para todos os lados. — Socorro!
— gritava Europa, estendendo-lhes as mãos, apavorada com o ímpeto repentino do animal. O touro, entretanto, avançava mar adentro, deixando atrás de si as mulheres pela praia, a sacudir os braços, impotentes.
Imaginando que o touro enlouquecera, temeram que tanto Europa quanto o animal terminariam afogados, logo que ultrapassassem a rebentação. Surpreendentemente, porém, o touro rompeu as ondas, lançando-se num trote ainda mais ágil do que aquele que usara nas areias fofas da praia. E assim se afastou cada vez mais da praia, enquanto Europa procurava manter-se agarrada aos chifres de seu seqüestrador. — Pare... !
Para onde está me levando? — perguntava Europa, enquanto o touro permanecia firme no seu galope, saltando sobre as ondas com a mesma destreza de um golfinho. Vendo, porém, que o animal parecia determinado a conduzi-la para algum lugar, Europa começou a clamar por socorro, invocando a proteção de Netuno: — O deus dos mares, veja em que aflição me encontro! — disse a moça, recebendo em seu corpo o vento e as ondas geladas. De repente, porém, tendo já avançado imensamente pelo oceano, o touro voltou para trás a cabeça e começou a conversar com a assustada Europa.
— Nada tema, bela Europa! — disse o animal. — Eu sou Júpiter e a levo comigo para a ilha de Creta, onde casaremos e você será honrada com uma ilustre descendência. Europa, mais calma, manteve-se agarrada aos chifres de seu futuro marido. Dentro em pouco chegaram ambos à ilha que o deus dos deuses anunciara.
Tão logo teve os pés postos sobre o chão outra vez, Europa viu o touro branco assumir a forma esplendorosa de Júpiter. Impaciente, o deus supremo carregou-a para dentro da ilha, enquanto Europa ainda tentava ensaiar alguma reação. Das núpcias deste casal surgiriam três lindos filhos, dentre os quais Minos, futuro rei de Creta. ARGOS E IO Amanhecia no Olimpo. Juno, a rainha dos céus, acordara há
Há muito tempo atrás, havia no reino de Tiro um rei, Agenor, cuja filha era muito bela. O nome dela era Europa, e Júpiter apaixonou-se perdidamente por sua beleza.
— Que linda mulher! — exclamava o deus dos deuses, cuidando, no entanto, para não ser ouvido por Juno, sua ciumenta esposa. — Tenho de possuí-la, a qualquer preço. Movido por essa determinação, Júpiter decidiu utilizar-se de seu estratagema principal, ou seja, o de se metamorfosear em algum ser ou coisa.
Por alguma razão, Júpiter jamais aparecia diante das suas eleitas na sua forma pessoal, preferindo assumir sempre uma outra aparência qualquer. Assim, depois de muito pensar, decidiu transformar-se num grande touro, branco como a neve.
Completada a transformação, Júpiter desceu à Terra envolto numa grande nuvem.
Em uma das praias do rei de Tiro e pai de Europa, um rebanho dócil de touros pastava num relvado próximo ao mar. Sem que ninguém percebesse, uma grande nuvem foi se aproximando, até que dela desceu o grande touro, indo colocar-se em meio aos demais. Os seus novos colegas de rebanho, a princípio assustados com aquela súbita aparição, abriram um espaço assim que ele pousou sobre a grama. No entanto, como o alvo touro se mostrasse manso e dócil, teve logo sua presença admitida, sem maiores contestações.
Ali esteve misturado aos demais, contrastando em relação ao pêlo escuro dos outros touros, até que de repente a bela Europa surgiu com suas amigas, rindo e cantando por entre as areias da praia. As suas companheiras eram belas, também, mas, assim como Júpiter destacava-se em seu rebanho, a filha de Agenor destacava-se em meio ao seu encantador e animado grupo. Era uma manhã luminosa, o sol brilhava sem ferir os olhos, e o céu tinha um tom manso e azulado como os olhos do touro, que observavam, atentos, a aproximação de sua amada. — Vejam só que belo rebanho! — exclamou Europa, ao ver os boa ajuntados.
— Mas o que será aquela mancha branca em meio a eles? A jovem, destacando-se do grupo, avançou correndo, levantando a barra da sua túnica rendada, que lhe descia até um pouco abaixo dos joelhos. Quando chegou perto de Júpiter, seus seios arfavam sob a fina gaze de suas vestes. Os grandes olhos azuis do touro branco pousaram sobre a face corada de Europa, de tal modo que a moça não pôde deixar de observar o seu intenso brilho. — Um touro branco! — disse a moça, encantada. — E que lindos olhos ele tem! Todas as amigas ajuntaram-se em torno ao animal, que, no entanto, tinha seus grandes olhos azuis postos somente sobre a bela filha do rei. A moça, postando-se ao lado dele, começou a alisar o pêlo sedoso de seu dorso branco, enquanto admirava os seus pequenos e delicados cornos, que tinham o brilho cristalino das melhores pérolas. Embora o aspecto do animal fosse suave, a sua musculatura era rija, o que Europa pôde comprovar ao alisar o seu pescoço. Alguns espasmos musculares percorriam o pêlo do touro a cada vez que Europa o acariciava. De vez em quando o animal inclinava a cabeça, fazendo-a deslizar discretamente pelo flanco de Europa, erguendo com suavidade a fímbria de suas vestes. A filha de Agenor, contudo, permitia tais liberdades por julgá- las apenas um brinquedo inocente do magnífico animal. Retirando-o do grupo, Europa levou-o para passear nas areias da praia, dando-lhe com as mãos algumas flores, que o touro comeu alegremente. Depois, ele pôs-se a correr ao redor da moça, enquanto as outras o perseguiam, fazendo-lhe festas e agrados.
Como o sol começasse a se tornar quente demais — pois era o auge do verão -, as moças, cansadas momentaneamente da brincadeira, despiram-se para dar um breve mergulho no mar. Europa, entretanto, preferiu ficar na areia, a brincar com seu touro branco. Assim, enquanto suas amigas banhavam-se, Europa colhia outras flores, compondo com elas uma bela grinalda que depositou em seguida sobre os chifres do animal.
Depois, montada sobre as suas costas, foi conduzida por ele num trote manso. Enquanto o animal a levava, emitia um pequeno mugido, em sinal de orgulho e satisfação. As amigas de Europa, entretanto, ao verem a nova diversão que a filha do rei inventara, saíram todas correndo do mar, num passo rápido que fazia balançar seus pequenos seios molhados. Júpiter, porém, ao vê-las avançarem para si, temeu que fossem desalojar Europa das suas costas. Realmente, logo uma delas tocou a cabeça do touro, com a mão coberta de sal: — Vamos, Europa, deixe-nos andar um pouco! — disse a moça, impaciente. Júpiter, porém, aproveitando a relutância que Europa manifestava em descer. lançou-se para a frente, num salto ágil, tomando o rumo do mar. — Ei, esperem, aonde vão?... — exclamou uma das amigas de Europa, com as mãos pousadas na cintura. Júpiter, surdo aos gritos, arremeteu em meio às mulheres que avançavam pela água, obrigando-as a se afastarem, assustadas, para todos os lados. — Socorro!
— gritava Europa, estendendo-lhes as mãos, apavorada com o ímpeto repentino do animal. O touro, entretanto, avançava mar adentro, deixando atrás de si as mulheres pela praia, a sacudir os braços, impotentes.
Imaginando que o touro enlouquecera, temeram que tanto Europa quanto o animal terminariam afogados, logo que ultrapassassem a rebentação. Surpreendentemente, porém, o touro rompeu as ondas, lançando-se num trote ainda mais ágil do que aquele que usara nas areias fofas da praia. E assim se afastou cada vez mais da praia, enquanto Europa procurava manter-se agarrada aos chifres de seu seqüestrador. — Pare... !
Para onde está me levando? — perguntava Europa, enquanto o touro permanecia firme no seu galope, saltando sobre as ondas com a mesma destreza de um golfinho. Vendo, porém, que o animal parecia determinado a conduzi-la para algum lugar, Europa começou a clamar por socorro, invocando a proteção de Netuno: — O deus dos mares, veja em que aflição me encontro! — disse a moça, recebendo em seu corpo o vento e as ondas geladas. De repente, porém, tendo já avançado imensamente pelo oceano, o touro voltou para trás a cabeça e começou a conversar com a assustada Europa.
— Nada tema, bela Europa! — disse o animal. — Eu sou Júpiter e a levo comigo para a ilha de Creta, onde casaremos e você será honrada com uma ilustre descendência. Europa, mais calma, manteve-se agarrada aos chifres de seu futuro marido. Dentro em pouco chegaram ambos à ilha que o deus dos deuses anunciara.
Tão logo teve os pés postos sobre o chão outra vez, Europa viu o touro branco assumir a forma esplendorosa de Júpiter. Impaciente, o deus supremo carregou-a para dentro da ilha, enquanto Europa ainda tentava ensaiar alguma reação. Das núpcias deste casal surgiriam três lindos filhos, dentre os quais Minos, futuro rei de Creta. ARGOS E IO Amanhecia no Olimpo. Juno, a rainha dos céus, acordara há
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